
S P H E R A
SPIRITUAL HERITAGE RESEARCH AREA
The SP-HE-R-A project investigates the spiritual dimension as a transhistorical and transcultural invariant in heritage studies, particularly in art. Inspired by Georges Didi-Huberman's reflections on anachronism and Raymond Abellio's postulate of universal interdependence, SPHERA seeks to uncover implicit manifestations of spirituality and sacredness in contemporary art and visual culture, while tracing genealogies that connect works, periods, and traditions. Through a combination of theoretical and artistic approaches, grounded in case-study analysis, the project understands art as a genetic process from which a form of spiritual intelligence may emerge. Ultimately, SPHERA seeks to reorient public art from urban regeneration towards spiritual regeneration, while critically examining and discussing the role of artificial intelligence in artistic creation and contemporary culture.
O projeto SP-HE-R-A investiga a dimensão espiritual como uma constante transhistórica e transcultural nos estudos do património, particularmente na arte. Inspirado nas reflexões de Georges Didi-Huberman sobre o anacronismo e no postulado de Raymond Abellio sobre a interdependência universal, o SPHERA procura revelar manifestações implícitas de espiritualidade e sacralidade na arte contemporânea e na cultura visual, ao mesmo tempo que traça genealogias que ligam obras, períodos e tradições. Através de uma combinação de abordagens teóricas e artísticas, assentes na análise de estudos de caso, o projeto entende a arte como um processo genético do qual pode emergir uma forma de inteligência espiritual. Em última análise, SPHERA procura reorientar a arte pública da regeneração urbana para a regeneração espiritual, ao mesmo tempo que examina e discute criticamente o papel da inteligência artificial na criação artística e na cultura contemporânea.
Le projet SP-HE-R-A explore la dimension spirituelle en tant qu'invariant transhistorique et transculturel dans les études sur le patrimoine, en particulier dans le domaine de l'art. S'inspirant des réflexions de Georges Didi-Huberman sur l'anachronisme et du postulat d'interdépendance universelle de Raymond Abellio, SPHERA cherche à mettre au jour les manifestations implicites de la spiritualité et du sacré dans l'art contemporain et la culture visuelle, tout en retraçant les généalogies qui relient les œuvres, les époques et les traditions. Grâce à une combinaison d'approches théoriques et artistiques, fondées sur l'analyse d'études de cas, le projet conçoit l'art comme un processus génétique d'où peut émerger une forme d'intelligence spirituelle. À terme, SPHERA vise à réorienter l'art public, en le faisant passer de la régénération urbaine à la régénération spirituelle, tout en examinant et en discutant de manière critique le rôle de l'intelligence artificielle dans la création artistique et la culture contemporaine.

SPHERA I
ART AS GESTATION OF THE PUBLIC SPHERA A ARTE COMO GESTAÇÃO DA SPHERA PÚBLICA
Wonderment and
Gnosis | Secular Spirituality | Phenomenology of the Creative Act Deslumbramento e Gnose | Espiritualidade Secular | Fenomemnologia do Ato Criativo
L'ART COMME GESTATION DE LA SPHERA PUBLIQUE
Émerveillement et Gnose | Spiritualité Laïque | Phénoménologie de l'Acte Créateur
Organisation
Research Centres & Partners
Scientific Committee
Daniel Verney
Gabriela Vaz-Pinheiro
Helena Elias
José Guilherme Abreu
Laura Castro
Mário Caeiro
Rodrigo Silva
Vítor Pomar
Editors
Mário Caeiro
José Guilherme Abreu

A Spiritual Umbrella
The claim for the existence of an Art-Life correlation constitutes an instigating premise for artistic contemporaneity. The endless ways to achieve that goal explain the material and conceptual pulverization of means and practices used to interpret that desideratum. Art is a phenomenological instance of being, as Husserl asserts in his letter to Hugo von Hofmannsthal, when he says that "the artist that observes the world, [...] behaves towards the world as the phenomenologist does" – an idea that Beuys will soon develop, stating that "all man is an artist", when he is gesture-in-action, i.e., a project of gestation.
Gestation of what? Gestation of the "society as a work of art" (Marcuse, 1968:186). In Abellio, the sphere he seeks "is an invariant model, universal, which functions as well on the field of intuition and of more elementary perception, as on the field of stronger intuitions (both perception of facts and perception of essences), and also concerning the study of any situation, in every domain: the structuring of sciences, the structuring of social functions, or the relations amongst civilizations." (Abellio, 1987:213)
Considering the relevance of art as a public reality (Catherine Grout) – consistent with the fact that the public space and the public sphere are quotidian stages for gestures producing difference – the idea of Apparition reveals itself as a phenomenological theme, according to Vergílio Ferreira, when he says that "I feel, I feel in the viscera the phantastic apparition of things, ideas, myself […] In life, there is nothing but original feeling" (Ferreira, 1971:9). Astonishment is a consequence of the presence of the non-expected. And the non-expected has no time. We touch here the domain of the "need of anachronism" (Didi-Huberman, 2017:17).
The present cycle of conferences articulates various positions orbiting an emergent secular spirituality which realizes, without logical disjunction, that "the awakening is near – and it is necessary a supreme effort to reach it. The awakening is distant – and it is really accessible". (Batchelor, 1997:13). With social and symbolic repercussions in the gestation of a convivial public sphere, adapted to the times and cultures that make us, this discussion will welcome the participation of researchers, teachers, artists, and authors, many crossing these and other territories of practice.
The initiative occurs in the domain of the research line Theatre of Apparitions, by initiative of TCM – Territory, Creation, Mediation, a research nucleus active within LIDA – Laboratório de Investigação em Design e Arte do Instituto Politécnico de Leiria. Its organization is based on a partnership with CITAR, Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes | Escola das Artes | Universidade Católica Portuguesa, spreading out to researchers of other universities' research centres, through R3iAP – Rede de Informação, Investigação e Intervenção de Arte Pública.
Um Guarda-Chuva Espiritual
A afirmação da existência de uma correlação entre Arte e Vida constitui uma premissa instigante para a contemporaneidade artística. As infinitas formas de alcançar esse objetivo explicam a fragmentação material e conceptual dos meios e práticas utilizados para interpretar esse desiderato. A arte é uma instância fenomenológica do ser, como afirma Husserl na sua carta a Hugo von Hofmannsthal, quando considera que "o artista que observa o mundo, [...] comporta-se perante o mundo tal como o fenomenólogo" — uma ideia que Joseph Beuys logo viria a desenvolver, ao afirmar que "todo o homem é um artista", quando é gesto em ação, ou seja, agente de um projeto em gestação.
Gestação de quê? Gestação da "sociedade como obra de arte" (Marcuse, 1968:186). Em Abellio, a esfera por ele visada "é um modelo invariante, universal, que funciona tanto no domínio da intuição e da perceção mais elementar, como no domínio de intuições mais fortes (tanto a perceção de factos como a perceção de essências), e também no que diz respeito ao estudo de qualquer situação, em todos os domínios: a estruturação das ciências, a estruturação das funções sociais ou as relações entre civilizações." (Abellio, 1987:213)
Considerando a relevância da arte como realidade pública (Catherine Grout) – coerente com o fato de que o espaço público e a esfera pública serem palcos quotidianas para gestos produzindo diferença – a ideia de Aparição revela-se como um tema fenomenológico, assim que Vergílio Ferreira escreve "sinto, sinto nas visceras a aparição fantástica das coisas, das ideias, de mim mesmo [...] Na vida, não há nada além de sentimento original". O espanto é uma consequência da presença do não esperado. E o não esperado não tem tempo. Tocamos aqui o domínio da "necessidade de anacronismo" (Didi-Huberman, 2017:17).
O presente ciclo de conferências articula várias posições que orbitam uma espiritualidade secular emergente, que percebe, sem disjunção lógica, que "o despertar está próximo - e é necessário um esforço supremo para alcançá-lo. O despertar está distante – e é realmente acessível". (Batchelor, 1997:13). Com repercussões sociais e simbólicas na gestação de uma esfera pública convivial, adaptada aos tempos e às culturas que nos fazem, essa discussão acolherá a participação de pesquisadores, professores, artistas e autores, muitos cruzando esses e outros territórios de prática.
A iniciativa ocorre no domínio da linha de pesquisa Teatro de Aparições, por iniciativa do TCM – Território, Criação, Mediação, um núcleo de pesquisas ativo dentro do LIDA – Laboratório de Investigação em Design e Arte do Instituto Politécnico de Leiria. A sua organização resulta de uma parceria com o CITAR, Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes | Escola das Artes | Universidade Católica Portuguesa, ramificando-se para investigadores de centros de investigação de outras universidades, através da R3iAP – Rede de Informação, Investigação e Intervenção de Arte Pública.
Un Parapluie Spirituel
La revendication de l'existence d'une corrélation Art-Vie constitue une prémisse instigante pour la contemporanéité artistique. Les nombreux moyens d'atteindre cet objectif expliquent la pulvérisation matérielle et conceptuelle des moyens et des pratiques utilisés pour interpréter ce désidératum. L'art est une instance phénoménologique de l'être, comme l'affirme Husserl dans sa lettre à Hugo von Hofmannsthal, lorsqu'il dit que « l'artiste qui observe le monde, [...] se comporte vers le monde comme le fait le phénoménologue » - une idée que Joseph Beuys ira bientôt développer, déclarant que « tout l'homme est un artiste », quand il est geste-en-action, c'est-à-dire un projet de gestation.
La gestation de quoi ? Gestation de la « société comme un œuvre d'art » (Marcuse, 1968:186). Chez Abellio, la sphère visée « est un modèle invariant, universel, qui fonctionne aussi bien sur le domaine de l'intuition et de la perception plus élémentaire, que sur le domaine des intuitions plus fortes (à la fois la perception des faits et la perception des essences), et aussi concernant l'étude de toute situation, dans tous les domaines: la structuration des sciences, la structuration des fonctions sociales, ou les relations entre les civilisations. » (Abellio, 1987:213)
Considérant la pertinence de l'art comme une réalité publique (Catherine Grout) – car l'espace public et la sphère publique constituent des scènes quotidiennes où se déploient des gestes générateurs de différence – l'idée d'Apparition se révèle un thème phénoménologique, lorsque Vergílio Ferreira écrit « je ressens, je ressens dans les viscères l'apparition fantastique des choses, des idées, de moi-même [...] Dans la vie, il n'y a que du sentiment original ». L'étonnement est une conséquence de la présence du non-attendu. Et le non-attendu n'a pas de temps. On touche ici le « besoin de l'anachronisme » (Didi-Huberman, 2017:17).
Le cycle actuel de conférences articule diverses positions en orbite autour d'une spiritualité séculaire émergente qui réalise, sans disjonction logique, que « l'éveil est proche – et il faut un effort suprême pour l'atteindre. L'éveil est lointain – et il est vraiment accessible. » (Batchelor, 1997:13). Avec des répercussions sociales et symboliques dans la gestation d'une sphère publique conviviale, adaptée aux temps et aux cultures qui nous font, cette discussion accueillera la participation de chercheurs, d'enseignants, d'artistes, et d'auteurs, nombreux traversant ces territoires et d'autres territoires de pratique.
L'initiative intervient dans le domaine de la ligne de recherche Théâtre des Apparitions, par initiative de TCM – Território, Criação, Mediação, un noyau de recherche actif au sein du LIDA – Laboratório de Investigação em Design e Arte do Instituto Politécnico de Leiria. L'organisation de cette initiative résulte d'un partenariat avec le CITAR, Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes | Escola das Artes | Universidade Católica Portuguesa, se ramifiant vers des chercheurs de centres de recherche d'autres universités, à travers le R3iAP – Rede de Informação, Investigação e Intervenção de Arte Pública.

Problematics
The transdisciplinary reflection we propose focuses on the problem of the lived and shared construction of the Public Sphere, designated here as Sphera. Brought to sociology by Jürgen Habermas, the concept of Public Sphere appeared associated to the free debate among educated citizens, and historically limited to the bourgeois society.
In the 1990s, Malcolm Miles moved the concept to the field of public art, opposing public sphere to public space by claiming for public art those achievements that are conceived beyond the objectual work of art exposed on the public space. Centered, henceforth, on the public sphere, the work of art would define as its own the territory of a shared quotidian whose realization would be expressed by the cultural program for convivial cities.
However, by being culturally determined, the public sphere is not a territory for wide consensus, but rather a stage for tough litigation, as the toppling of statues shows it. In this case, how could it provide the inclusivity of an open field, accept the array of references that nowadays cohabit the global imaginary and, nevertheless, express valor?
When, in the middle of the Cold War, John Lennon and Yoko Ono released the movement "War is over! (if you want it)", were they not setting the tone for an intervention in favor of a, so to speak, psychic corpus of ideas, instead of a political one? And did this corpus not take place in the "Imagine Peace Tower", which was dedicated in 2007, on the islet of Videy, before Reykjavik? The light emanating from that ecological beam, does it not overcome the Enlightenment torch of the "Statue of Liberty", as an icon of the liberal and industrial Brave New World? Which anachronisms thus become a spiritual and secular heritage?
Will the idea of a spiritual Sphera ruled by the abellian principle of universal interdependence, and inspired by the quest for living artistically, be the utopian, but precise, forerunner of the most sublime of all arts: to imagine the society as a work of art, spiritually generated in common?
Artists like Joseph Beuys, amongst others, have centered their work on the quest for a renewed social function and ethical consciousness. In short, could we say that we are on a threshold, moving from a model of public art meant as a tool for urban regeneration (or a channel for sociocultural malaise) to a model of public art as an instance of transcendence, now most accessible and common?
Problemática
A reflexão transdisciplinar que propomos centra-se no problema da construção vivida e compartilhada da Esfera Pública, designada aqui como Sphera. Trazido à sociologia por Jürgen Habermas, o conceito de esfera pública apareceu associado ao livre debate entre os cidadãos educados, e historicamente limitado à sociedade burguesa.
Na década de 1990, Malcolm Miles mudou o conceito para o campo da arte pública, opondo-se à esfera pública para o espaço público, reivindicando para a arte pública aquelas conquistas que são concebidas além da obra de arte objetiva exposta no espaço público. Centrado, a partir de agora, na esfera pública, a obra de arte definiria como própria o território de um cotidiano compartilhado cuja realização seria expressa pelo programa cultural para cidades conviviais.
No entanto, ao ser culturalmente determinada, a esfera pública não é um território para amplo consenso, mas sim um palco para litígios difíceis, como mostra a derrubada de estátuas. Neste caso, como poderia fornecer a inclusão de um campo aberto, aceitar a gama de referências que hoje em dia coabitam o imaginário global e, no entanto, o valor expresso?
Quando, no meio da Guerra Fria, John Lennon e Yoko Ono lançaram o movimento "A Guerra acabou! (se você quiser)", não estavam dando o tom para uma intervenção em favor de um corpus psíquico de ideias, em vez de um corpus psíquico? E esse corpus não ocorreu na "Imagine Peace Tower", que foi dedicada em 2007, na ilhéu de Videy, antes de Reykjavik? A luz que emana daquele feixe ecológico, não supera a tocha do Iluminismo da "Estátua da Liberdade", como um ícone do Admirável Mundo Novo liberal e industrial? Quais anacronismos se tornam, assim, uma herança espiritual e secular?
Será que a ideia de uma Esfera espiritual governada pelo princípio abeliano da interdependência universal, e inspirada pela busca de viver artisticamente, será a precursora utópica, mas precisa, da mais sublime de todas as artes: imaginar a sociedade como uma obra de arte, gerada espiritualmente em comum?
Artistas como Joseph Beuys, entre outros, centraram seu trabalho na busca por uma função social renovada e consciência ética. Em suma, poderíamos dizer que estamos em um limiar, passando de um modelo de arte pública significado como uma ferramenta para a regeneração urbana (ou um canal para mal-estar sociocultural) para um modelo de arte pública como uma instância de transcendência, agora mais acessível e comum?
Problématique
La réflexion transdisciplinaire que nous proposons porte sur le problème de la construction vécue et partagée de la sphère publique, désignée ici comme Sphera. Porté en sociologie par Jürgen Habermas, le concept de sphère publique est apparu, associé au libre débat parmi les citoyens instruits et historiquement limité à la société bourgeoise.
Dans les années 1990, Malcolm Miles a déplacé le concept dans le domaine de l'art public, s'opposant à la sphère publique à l'espace public en revendiquant pour l'art public les réalisations qui sont conçues au-delà de l'œuvre d'art objective exposée sur l'espace public. Centrée, désormais, sur la sphère publique, l'œuvre d'art définirait comme sien le territoire d'un quotidien partagé dont la réalisation s'exprimerait par le programme culturel pour des villes conviviales.
Cependant, en étant culturellement déterminée, la sphère publique n'est pas un territoire pour un large consensus, mais plutôt la scène d'un litige difficile, comme le montre le renversement des statues. Dans ce cas, comment pourrait-elle fournir l'inclusivité d'un champ ouvert, et accepter l'échange de références qui aujourd'hui cohabitent dans l'imaginaire global et, néanmoins, expriment de la valeur ?
Quand, au milieu de la guerre froide, John Lennon et Yoko Ono ont libéré le mouvement "La guerre est terminée! (si vous le voulez)", n'ont-ils pas donné le ton d'une intervention en faveur d'un corpus psychique d'idées, pour ainsi dire, au lieu d'un corpus politique ? Et ce corpus n'a-t-il pas eu lieu dans la "Tour de la Paix Imagine", qui a été dédiée en 2007, sur l'îlot de Videy, devant Reykjavik ? La lumière émanant de ce faisceau écologique, ne surmonte-t-elle pas la torche des Lumières de la "Statue de la Liberté", comme une icône du Brave New World libéral et industriel ? Quels anachronismes deviennent ainsi un patrimoine spirituel et laïque ?
L'idée d'une Sphère spirituelle dirigée par le principe abellien de l'interdépendance universelle, et inspirée par le projet de vivre artistiquement, ne sera-t-elle pas l'utopiste, mais précis, précurseur du plus sublime de tous les arts : imaginer la société comme une œuvre d'art, spirituellement générée en commun ?
Des artistes comme J. Beuys, entre autres, ont centré leur travail sur la quête d'une fonction sociale renouvelée et d'une conscience éthique. Bref, pourrions-nous dire que nous sommes sur un seuil, passant d'un modèle d'art public, pensé comme outil de régénération urbaine, à un modèle d'art public créé comme pôle de transcendance, aujourd'hui la plus accessible et la plus commune ?
José Guilherme Abreu (CITAR)
Mário Caeiro (LIDA)

Theater of Apparitions
Wonderment Practices in the Spatial Configuration of the Common
Observing our time implies the recognition of a disturbing symptom: a society driven by techno-scientific utopianism, seeking to obliterate and forget the forms of vulnerability and finitude. Dealing with a condition that is denied and relegated to the margins calls us to open new dimensions of inclusiveness, if we recognize the demand to integrate the new and the different. Art has always been able to make space for offering new ways of seeing – from our common exposure to the fragility of being.
Theater of Apparitions is a research project informed by contemporary artistic creation. It aims to show some configurations of this common space fertilized by the creation of place for the totally other as an apparition, i.e., as a destabilizing event and insurrection – a term to which Georges Didi-Huberman gave renewed meaning – creator of the human being. The aim will be to create and recreate the conditions for welcoming the manifestations of wonderment – recovering the broad meaning of Greek thaumazein – and its relational intensities, reaching light for the cartographies emerging from the ordinary, in a series of multidisciplinary cultural initiatives capable of showing this moving horizon where uncertainty and trust, discovery and recognition are mixed.
It will be a matter of showing the constellation of the encounter between now and the past, one that brought out the critical energy of the dialectical images about which Walter Benjamin spoke. Invoking the being and knowledge of the different agents of the imagination, we will seek to undertake innovative readings of the multiple bridges and connections that can be established between the arts, sciences and the humanities. For that it is necessary to make wonderment the first – and most original – relational technology.
Teatro das Aparições
Práticas de Deslumbramento na Configuração Espacial do Comum
Olhar o tempo presente implica o reconhecimento de um sintoma inquietante: uma sociedade impulsionada pelo utopismo tecno-científico procura obliterar e esquecer as formas da vulnerabilidade e da finitude. Lidar com essa condição denegada e relegada para as margens, convoca-nos à abertura de novas dimensões da inclusividade, se nela escutarmos o apelo a integrar o novo e o diferente. A arte desde sempre soube abrir o espaço para este dar a ver – da nossa comum exposição à fragilidade do existir.
O Teatro das Aparições é um projeto de investigação informado pela criação artística contemporânea. Tem por objetivo dar a ver algumas configurações desse espaço-em-comum aberto pela criação do lugar do totalmente outro enquanto aparição, i.e., enquanto acontecimento desestabilizador e insurreição – termo ao qual Georges Didi-Huberman deu renovado sentido – criadora do (ser) humano. Procurar-se-á criar e recriar as condições de acolhimento das manifestações do espanto – recuperando o sentido amplo do thaumazein grego – e das suas intensidades relacionais, alcançando luz para as cartografias emergentes do comum, numa série de iniciativas culturais multidisciplinares capazes de dar a ver este horizonte movente onde se mistura incerteza e confiança, descoberta e reconhecimento.
Tratar-se-á de dar a ver a constelação do encontro do agora com o outrora, aquela que fazia aparecer a energia crítica das imagens dialéticas de que falava Walter Benjamin. Convocando o ser e o saber dos diferentes agentes da imaginação, procurar-se-á empreender leituras inovadoras das múltiplas pontes e ligações que possam ser estabelecidas entre artes, ciências e humanidades. Pois há que fazer do espanto a primeira – e mais originária – tecnologia relacional.
Théâtre des Apparitions
Pratiques de Émerveillement dans la Configuration Spaciale du Commun
Observer notre temps implique la reconnaissance d'un symptôme inquiétant: une société animée par l'utopisme technoscientifique, cherchant à effacer et oublier les formes de vulnérabilité et de finitude. Faire face à une condition qui est refusée et reléguée aux marges, nous appelle à ouvrir de nouvelles dimensions d'inclusion, si nous reconnaissons la demande d'intégrer le nouveau et le différent. L'art a toujours pu ouvrir de l'espace pour offrir nouvelles façons de voir – de notre exposition commune à la fragilité de l'être.
Le Théâtre des Apparitions est un projet de recherche inspiré par la création artistique contemporaine. Il vise à faire en sorte que certaines configurations de cet espace commun soient ouvertes par la création de l'absolument neuf, en tant qu'apparition, c'est-à-dire comme un événement déstabilisateur et une insurrection – terme auquel Georges Didi-Huberman a donné un sens renouvelé – créateur de l'être humain. L'objectif sera de créer et de recréer les conditions pour accueillir les manifestations d'émerveillement – récupérer le sens large du thaumazein grecque – et ses intensités relationnelles, en apportant de la lumière aux cartographies émergentes du commun, dans une série d'initiatives culturelles multidisciplinaires capables de montrer cet horizon mouvant où l'incertitude et la confiance, la découverte et la reconnaissance sont mélangées.
Il s'agira de montrer la constellation de la rencontre entre maintenant et le passé, qui a mis en lumière l'énergie critique des images dialectiques dont Walter Benjamin a parlé. En invoquant l'être et la connaissance des différents agents de l'imagination, nous chercherons à réaliser des lectures innovantes des multiples ponts et connexions qui peuvent être établis entre les arts, les sciences et les sciences humaines. Pour cela, il est nécessaire de faire des merveilles de la première – et la plus originale – technologie relationnelle.
Mário Caeiro (LIDA)
Madalena Folgado (LIDA)
Rodrigo Silva (LIDA)



Ebook - SPHERA I
ACKNOWLEDGMENTS
We are most grateful to the authors, colleagues, and collaborators who helped us to conceive and to fulfil the epopee of shaping a cycle of conferences, whose main ideas began to be discussed during a time of normal living, were first set up during unstable pandemic times, and finally came to be published during the troubled times of hard and heavy war.
First, we want to acknowledge the speakers of the on-line conferences. We are most grateful, not only for having accepted the invitations to participate, but also for the careful and patient work of turning into written text conferences that were first conceived as fresh on-line talks. So, acknowledgments must be directed to Dominik Lejman, César Barrio, Simeon Nelson, Jo Joelson, Rodrigo Silva, and a most specially one to Rudolph Bauer, who had the kind initiative to write a text about the three conferences that were on-line, before his own. That joyful initiative led us to create a new section on the book we called FEEDBACK, and to write another text, reflecting about the other four conferences, after our own points of view.
As well as the authors, we want to acknowledge the members of the scientific committee that help us to support the initiative, rooting it on its very ground: scientific research. So, we want to acknowledge Daniel Verney, Gabriela Vaz-Pinheiro, Laura Castro, Madalena Folgado, Rodrigo Silva, and Vítor Pomar, for their contributions and support.
Besides the most direct participators, we are also much grateful to the Direction Board of LIDA, for the scientific trust and the material support that could gain such an adventurous project. Scientific research is often risky, and we think it should remain like that, if we really want to step across the gates of discovery. So, we want to acknowledge its Director, Renato Bispo, as well as the other members of its Steering Committee.
AGRADECIMENTOS
Somos muito gratos aos autores, colegas e colaboradores que nos ajudaram a conceber e a cumprir a epopeia de moldar um ciclo de conferências, cujas principais ideias começaram a ser discutidas durante um tempo de vida normal, cujos primeiros resultados brotaram durante os tempos instáveis da pandemia, para serem publicados durante os conturbados tempos da inclemente guerra que, sobre todos, se abateu.
Em primeiro lugar, queremos agradecer aos oradores das conferências em linha. Somos muito gratos, não só por terem aceitado os convites para participar, mas também pelo trabalho cuidadoso e paciente de transformar, em texto escrito, conferências que foram inicialmente concebidas como palestras on-line. Devem ser, pois, dirigidos agradecimentos a Dominik Lejman, César Barrio, Simeon Nelson, Jo Joelson, Rodrigo Silva e, em especial, a Rudolph Bauer, que teve a amável iniciativa de escrever um texto sobre as três conferências, entretanto, colocadas em-linha, antes da sua. Essa feliz iniciativa levou-nos a criar uma nova seção sobre o livro que chamamos FEEDBACK, e a escrever outro texto, refletindo sobre as outras quatro conferências, depois, a partir dos nossos próprios pontos de vista.
Tal como em relação aos autores, queremos agradecer aos membros da Comissão Científica que nos ajudam a apoiar a iniciativa, enraizando-a no seu próprio terreno: a investigação científica. Agradecemos, também, a Daniel Verney, Gabriela Vaz-Pinheiro, Laura Castro, Madalena Folgado, Rodrigo Silva e Vítor Pomar pelo seu contributo e apoio.
Além dos participantes mais diretos, também somos muito gratos ao Conselho de Direção do LIDA, pela confiança científica e pelo apoio material que pôde obter um projeto algo aventureiro. A pesquisa científica é muitas vezes arriscada, e consideramos que deve permanecer assim, se realmente quisermos atravessar os portões da descoberta. Finalmente, queremos agradecer ao seu Diretor LIDA, Renato Bispo, bem como aos restantes membros da Comissão Diretiva.
Por fim, as conferências em-linha não seriam possíveis, sem o requerido trabalho técnico, serviço de secretariado e assistência diligente e competente, de Inês Faria e de Vitor Braga, a quem estamos muito gratos também.
REMERCIEMENTS
Nous sommes très reconnaissants envers les auteurs, collègues et collaborateurs qui nous ont aidé à concevoir et à réaliser l'épopée de façonner un cycle de conférences, dont les principales idées ont commencé à être discutées au cours d'une durée de vie normale, dont les premiers résultats ont surgi pendant les temps instables de la pandémie, et finalement à publier pendant les temps troublés de la guerre inclémente qui, cependant, est tombée.
Tout d'abord, nous tenons à remercier les intervenants des conférences en ligne. Nous sommes très reconnaissants, non seulement d'avoir accepté les invitations à participer, mais aussi pour le travail minutieux et patient de transformation, en texte écrit, de conférences qui ont été initialement conçues comme des exposés en-ligne. Il faut donc remercier Dominik Lejman, César Barrio, Simeon Nelson, Jo Joelson, Rodrigo Silva et, en particulier, Rudolph Bauer, qui eut l'aimable initiative d'écrire un texte sur les trois conférences mises en ligne, avant la sienne. Cette heureuse initiative nous a amené à créer une nouvelle section sur le livre que nous appelons FEEDBACK, et à écrire un autre texte, en réfléchissant aux autres quatre conférences, puis de nos propres points de vue.
Comme pour les auteurs, nous tenons à remercier les membres du Comité Scientifique qui nous ont aidé à soutenir l'initiative, en l'enracinant dans son propre domaine: la recherche scientifique. Nous remercions donc à Daniel Verney, Gabriela Vaz-Pinheiro, Laura Castro, Madalena Folgado, Rodrigo Silva et Vítor Pomar pour leur contribution et leur soutien.
En plus des participants les plus directs, nous sommes également très reconnaissants au Conseil d'Administration de la LIDA, pour la confiance scientifique et le soutien matériel obtenu par un projet un peu aventureux. La recherche scientifique est souvent risquée, et nous considérons qu'elle doit le rester ainsi, si on veut vraiment franchir les portes de la découverte. Enfin, nous tenons à remercier à Renato Bispo, Directeur du LIDA, et aux autres membres du Comité Directeur.
Finalement, les conférences en ligne ne seraient pas possibles, sans le travail technique requis, le service de secrétariat et l'assistance diligente et compétente, apportées par Inês Faria et Vitor Braga, auxquels nous sommes très reconnaissants également.

SPHERA II
Spherical Journeys | Viagens Esféricas | Voyages Sphériques
On the Earth, as within the Light | Assim na Terra, como na Luz | Sur la Terre, ainsi que dans la Lumière
Being - Creation - Living | Ser - Criação - Vivo | Être - Création - Vif
Organisation
Research Centres & Partners
Scientific Committee
José Guilherme Abreu (CITAR)
Mário Caeiro (LIDA)
Renato Bispo (LIDA)
Samuel Rama (LIDA)
Teresa Bartolomei (CITER)
Laura Castro (CITAR)
José Cirillo (LEENA)
Éric Coulon (ULC)
Rodrigo Silva (LIDA)
Gabriela Vaz-Pinheiro (i2ADS)
Michelle Nahon (ARARE)
Editors
José Guilherme Abreu
Mário Caeiro


Departure
Just as in Art as Gestation of the Public Sphera, this new edition of the SPHERA project, Spherical Journeys: On the Earth as within the Light, opens with a musical allegory: The Conference of the Birds. This is the title of a cult album — on vinyl, of course — recorded by the Dave Holland Quartet and released by ECM in 1973. Featuring Anthony Braxton and Sam Rivers on woodwinds, the quartet was completed by Barry Altschul on percussion and its leader, Dave Holland, on double bass.

You can listen to its homonym track here: https://www.youtube.com/watch?v=YYTIXJuxvgY
The Conference of the Birds which inspired the theme composed by Dave Holland, is a reference to a Persian text written by Farid-ud-Din Attar, a Sufi master of the twelfth century, which is now adopted as a kind of "conceptual metaphor" for the present edition.
A conceptual metaphor, because, like the birds in the Sufi myth, human beings realize now that they are divided and lost. The spherical journey that emerges from the encounter between the artistic and theoretical essays, brought together in this volume, is an attempt to open a path of awareness and silence, in harmony with the whole, capable of bringing us together, rather than tearing us apart.
That was the purpose of Attar's initiatory tale, as we shall now see.
The Conference of the Birds
Written in the twelfth century by the great Sufi master Farid ud-Din Attar, The Conference of the Birds is one of the masterpieces of spiritual literature. Beneath the appearance of a tale in which all the birds of the world gather to choose a sovereign, the poem unfolds as an allegory of the human soul's journey towards self-knowledge and union with the Absolute.
One day, the birds become aware that they live scattered and divided, without a true centre or guiding purpose. They assemble in search of a king who might give meaning to their existence. It is the Hoopoe, the wise bird and herald of hidden mysteries, who reveals that their rightful sovereign is the Simurgh, a radiant being dwelling beyond the mountains of Qaf, in a realm that can only be reached by those willing to undergo a profound inner transformation.
Each bird answers the summons according to the nature of its own attachments. The Nightingale cannot forsake the Rose, held captive by the fleeting beauty of earthly love. The Parrot longs only for immortality. The Peacock mourns the loss of Paradise and dreams of recovering its former splendour without enduring the trials of purification. The Falcon prefers the company of earthly kings to the invisible King. The Duck, the Partridge, the Owl and many others reveal, each in its own way, a fear, a desire or an illusion that prevents them from setting out. Patiently, the Hoopoe answers every objection, showing that every obstacle is, in truth, a veil woven by the ego itself.
Despite their doubts, a company of birds resolves to undertake the journey. To reach the Simurgh they must cross the Seven Valleys, each representing a stage in the soul's ascent. The first is the Valley of the Quest, where the longing for a truth greater than all certainties is awakened. It is followed by the Valley of Love, where reason yields to the consuming fire of the heart. Then comes the Valley of Knowledge, in which each traveller discovers that true understanding grows only in proportion to one's own inner transformation.
The path continues through the Valley of Detachment, where ambition, possession and worldly distinction gradually fall away. Beyond lies the Valley of Unity, where all multiplicity begins to dissolve into a single reality. The pilgrims then enter the Valley of Bewilderment, where the mystery becomes so vast that thought itself falls silent before the ineffable. Finally, they arrive at the Valley of Poverty and Annihilation, where nothing remains of pride or individual identity, only a transparent stillness capable of receiving the presence of the Absolute.
Along the way, most of the birds succumb to exhaustion, fear or temptation. Some turn back, while others were forever lost. In the end, only thirty reach the final destination, stripped of everything they once believed themselves to be, as Attar describes:
Now the Sun celestial began to shine forth in front of them, and lo! how great was their surprise! In the reflection of their faces these thirty birds of the earth behold the face of the Celestial Simurgh. When they cast furtive glances towards the Simurgh, they perceived that the Simurgh was no other than those self-same thirty birds. In utter bewilderment they lost their wits and wondered whether they were their own selves or whether they had been transformed into the Simurgh. Then, to themselves they turned their eyes, and wonder of wonders, those self-same birds seemed to be one Simurgh! (Attar, 1924, p. 117)
So, the King they were after, had always dwelt in the depths of themselves. In Persian, si morgh means precisely "thirty birds". The one they sought from the beginning revealed Himself as the spiritual unity of those who had gone through all the trials and let their separate selves die.
It is in this revelation that Attar's work culminates. The outer journey becomes an inner journey; the search for God becomes the discovery of the profound identity between the lover and the Beloved, between the seeker and the Sought. The Simurgh is not just a mythical being. It is the symbol of the unique reality that remains hidden beneath the multiplicity of beings.
So, at the very end of the tale, Attar concludes:
Thereupon the birds lost themselves for ever in the Simurgh. The shade thus vanished in the Sun. Neither the traveller remained, nor the guide, nor the path. Finding the Simurgh they found themselves and the riddle of I and You was solved. (Attar, 1924, p. 118)
The Conference of the Birds is, above all, a profound meditation on the human condition. It teaches us that the true spiritual path lies not in the acquisition of new knowledge, but in the gradual relinquishment of every illusion that separates us from our deepest nature. Only those who are willing to lose themselves may ultimately discover who they truly are. And only when the mirror of the soul has become perfectly clear can one recognise that the light so long sought has, in truth, never ceased to dwell within.
Partida
Assim como em Arte como Gestação da Sphera Pública, esta nova edição do projeto SPHERA, Spherical Journeys: On the Earth, as within the Light, abre com uma alegoria musical: A Conferência dos Pássaros. Este é o título de um álbum de culto – em vinil, é claro – gravado pelo Dave Holland Quartet e lançado pela ECM, em 1973. Com Anthony Braxton e Sam Rivers em sopros, o quarteto foi completado por Barry Altschul na percussão e seu líder, Dave Holland, no contrabaixo.

Pode ouvir-se a faixa homónima aqui: https://www.youtube.com/watch?v=YYTIXJuxvgY
A Conferência dos Pássaros que inspirou o tema composto por Dave Holland, é uma referência a um texto persa escrito por Farid-ud-Din Attar, um mestre sufi do século XII, que agora é adotado como uma espécie de "metáfora conceitual" para a presente edição.
Uma metáfora conceitual, porque, como os pássaros no mito sufi, os seres humanos percebem agora que estão divididos e perdidos. O percurso esférico que emerge do encontro entre os ensaios artísticos e teóricos, reunidos neste volume, é uma tentativa de abrir um caminho de consciência e de silêncio, em harmonia com o todo, capaz de nos unir, em vez de nos separar.
Esse era o propósito do conto iniciático de Attar, como veremos agora.
A Conferência dos Pássaros
Escrita no século XII pelo mestre sufi Farid ud-Din Attar, a Conferência dos Pássaros é uma das obras-primas da literatura espiritual. Sob a aparência de um conto em que todas as aves do mundo se reúnem para escolher um soberano, o poema se desenrola como uma alegoria da jornada da alma humana em direção ao autoconhecimento e à união com o Absoluto.
Um dia, os pássaros tomam consciência de que vivem espalhados e divididos, sem um verdadeiro centro ou propósito orientador. Reúnem-se em busca de um rei que possa dar sentido à sua existência. É o Hoopoe, o pássaro sábio e arauto de mistérios ocultos, que revela que seu soberano legítimo é o Simurgh, um ser radiante que habita além das montanhas de Qaf, em um reino que só pode ser alcançado por aqueles dispostos a sofrer uma profunda transformação interior.
Cada pássaro responde à convocação de acordo com a natureza de seus próprios apegos. O Rouxinol não pode abandonar a Rosa, mantida em cativeiro pela beleza fugaz do amor terrestre. O Papagaio anseia apenas pela imortalidade. O Pavão lamenta a perda do Paraíso e sonha em recuperar seu antigo esplendor sem suportar as provações de purificação. O Falcão prefere a companhia de reis terrestres ao Rei invisível. O Pato, a Perdiz, a Coruja e muitos outros revelam, cada um à sua maneira, um medo, um desejo ou uma ilusão que os impede de partir. Pacientemente, o Hoopoe responde a cada objeção, mostrando que cada obstáculo é, na verdade, um véu tecido pelo próprio ego.
Apesar de suas dúvidas, uma companhia de pássaros resolve empreender a viagem. Para alcançar a Simurgh, eles devem atravessar os Sete Vales, cada um representando um estágio na ascensão da alma. O primeiro é o Vale da Busca, onde o anseio por uma verdade maior do que todas as certezas é despertado. É seguido pelo Vale do Amor, onde a razão cede ao fogo consumidor do coração. Então vem o Vale do Conhecimento, no qual cada viajante descobre que a verdadeira compreensão cresce apenas na proporção da própria transformação interior.
O caminho continua através do Vale do Desapego, onde a ambição, a posse e a distinção mundana gradualmente desaparecem. Além do Vale da Unidade, onde toda multiplicidade começa a se dissolver em uma única realidade. Os peregrinos então entram no Vale do Desconcerto, onde o mistério se torna tão vasto que o próprio pensamento cai em silêncio diante do inefável. Por fim, chegam ao Vale da Pobreza e da Aniquilação, onde nada resta de orgulho ou identidade individual, apenas uma quietude transparente capaz de receber a presença do Absoluto.
Ao longo do caminho, a maioria dos pássaros sucumbe à exaustão, medo ou tentação. Alguns voltam atrás, enquanto outros foram perdidos para sempre. No final, apenas trinta chegam ao destino final, despojados de tudo o que antes acreditavam ser, como descreve Attar:
Agora o Sol celestial começou a brilhar na sua frente deles, e eis! Quão grande foi a surpresa! No reflexo de seus rostos, essas trinta aves da terra contemplam a faceda Simurgia Celestial. Quando lançaram olhares furtivos em direção ao Simurgh, perceberam que a Simurgh não era outra senão aquelas mesmas trinta aves. Em total perplexidade, eles perderam sua inteligência e se perguntaram se eles eram seus próprios eus ou se eles tinham sido transformados no Simurgh. Então, para si mesmos, eles viraram os olhos, e maravilha de maravilhas, aqueles mesmos pássaros pareciam ser um Simurgh! (Attar, 1924, pág. 117)
Assim, o rei que eles estavam atrás, sempre habitou nas profundezas de si mesmos. Em persa, si morgh significa precisamente "trinta aves". Aquele que eles procuravam desde o início revelou-se como a unidade espiritual daqueles que tinham passado por todas as provações e deixado seus eus separados morrer.
É nessa revelação que culmina o trabalho de Attar. A viagem exterior torna-se uma viagem interior; a busca por Deus torna-se a descoberta da identidade profunda entre o amante e o Amado, entre o buscador e o Procurado. O Simurgh não é apenas um ser mítico. É o símbolo da realidade única que permanece escondida sob a multiplicidade de seres.
Então, no final do conto, Attar conclui:
Então, os pássaros perderam-se para sempre no Simurgh. A sombra desapareceu no Sol. Nem o viajante permaneceu, nem o guia, nem o caminho. Encontrando o Simurgh eles encontraram-se a si mesmos e o enigma do Eu e do Outro foi resolvido. (Attar, 1924, p. 118)
A Conferência dos Pássaros é, acima de tudo, uma profunda meditação sobre a condição humana. Ensina-nos que o verdadeiro caminho espiritual não reside na aquisição de novos conhecimentos, mas na renúncia gradual de toda ilusão que nos separa de nossa natureza mais profunda. Somente aqueles que estão dispostos a se perder podem, em última análise, descobrir quem são verdadeiramente. E somente quando o espelho da alma se tornou perfeitamente claro é que se pode reconhecer que a luz tão longa buscada, em verdade, nunca deixou de habitar dentro.
Départ
Tel que dans L'Art Comme Gestation de la Sphera Publique, cette nouvelle édition du projet SPHERA, Voyages Sphériques. Sur la Terre, ainsi que dans la Lumière, s'ouvre sur une allégorie musicale : La Conférence des Oiseaux. C'est le titre d'un album culte – en vinyle, bien sûr – enregistré par le Dave Holland Quartet et sorti par ECM, en 1973. Avec Anthony Braxton et Sam Rivers dans les soufles, le quartet a été complété par Barry Altschul dans la percussion et par son leader, Dave Holland, sur la contrebasse.

On peut écouter la piste éponyme ici: https://www.youtube.com/watch?v=YYTIXJuxvgY
La Conférence des Oiseaux qui a inspiré le thème composé par Dave Holland, est une référence à un texte persan écrit par Farid-ud-Din Attar, un maître soufi du XIIe siècle, qui est maintenant adopté comme une sorte de "métaphore conceptuelle" pour cette édition.
Une métaphore conceptuelle, parce que, comme les oiseaux dans le mythe soufi, les humains se rendent maintenant compte qu'ils sont divisés et perdus. Le chemin sphérique qui émerge de la rencontre entre essais artistiques et théoriques, rassemblés dans ce volume, est une tentative d'ouvrir un chemin de conscience et de silence, en harmonie avec l'ensemble, capable de nous unir, au lieu de nous séparer.
C'était le but du conte initiatique d'Attar, comme nous allons maintenant le voir.
La Conférence des Oiseaux
Écrite au XIIe siècle par le maître soufi Farid ud-Din Attar, la Conférence des Oiseaux est l'un des chefs-d'œuvre de la littérature spirituelle. Sous l'apparence d'un conte dans lequel tous les oiseaux du monde se rassemblent pour choisir un souverain, le poème se déploie comme une allégorie du voyage de l'âme humaine vers la connaissance de soi et l'union avec l'Absolu.
Un jour, les oiseaux prennent conscience qu'ils vivent dispersés et divisés, sans véritable centre ni but directeur. Ils se rassemblent à la recherche d'un roi qui peut donner un sens à son existence. C'est le Hoopoe, l'oiseau sage et héraut des mystères occultes, qui révèle que son souverain légitime est le Simurgh, un être rayonnant qui habite au-delà des montagnes Qaf, dans un royaume qui ne peut être réalisé que par ceux qui veulent subir une profonde transformation intérieure.
Chaque oiseau répond à l'appel en fonction de la nature de ses propres attaches. Le Rossignal de Nuit ne peut pas abandonner la Rose, retenue captive par la beauté fugace de l'amour terrestre. Le Parrot ne désire que l'immortalité. Le Paon pleure la perte du Paradis et rêve de retrouver son ancienne splendeur sans endurer les épreuves de purification. Le Faucon préfère la compagnie des rois terrestres au roi invisible. Le Canard, la Perdrix, la Chouette et bien d'autres révèlent, chacun à sa manière, une peur, un désir ou une illusion qui les empêche de partir. Patiemment, le Hoopoe répond à chaque objection, montrant que chaque obstacle est en fait un voile tissé par l'ego lui-même.
Malgré ses doutes, une compagnie d'oiseaux décide d'entreprendre le voyage. Pour atteindre le Simurgh, ils doivent traverser les Sept Vallées, chacune représentant une étape dans l'ascension de l'âme. La première est la Vallée de la Recherche, où le désir d'une vérité plus grande que toutes les certitudes est éveillé. Elle est suivie par la Vallée de l'Amour, où la raison cède au feu consommant du cœur. Puis vient la Vallée de la Connaissance, dans laquelle chaque voyageur découvre que la vraie compréhension ne grandit que proportionnellement à la transformation intérieure elle-même.
Le chemin continue à travers la Vallée du Détachement, où l'ambition, la possession et la distinction mondaine disparaissent progressivement. Au-delà de la Vallée de l'Unité, où toute multiplicité commence à se dissoudre en une seule réalité. Les pèlerins entrent alors dans la Vallée du Déconcert, où le mystère devient si vaste que la pensée elle-même tombe silencieusement devant l'ineffable. Enfin, ils arrivent dans la Vallée de la Pauvreté et de l'Anéantissement, où rien ne reste de fierté ou d'identité individuelle, seulement une tranquillité transparente capable de recevoir la présence de l'Absolu.
En chemin, la plupart des oiseaux succombent à l'épuisement, à la peur ou à la tentation. Certains reviennent, tandis que d'autres ont été perdus à jamais. En fin de compte, seulement trente arrivent à la destination finale, dépouillés de tout ce qu'ils croyaient autrefois être, comme le décrit Attar:
Maintenant, le Soleil céleste a commencé à briller devant eux, et voici! Quelle était la grande surprise ! Dans le reflet de leurs visages, ces trente oiseaux de la terre contemplent la face du Simurgh céleste. Quand ils jetèrent des regards furtifs vers Simurgh, ils se rendirent compte que Simurgh n'était autre que ces trente oiseaux. Dans la perplexité totale, ils ont perdu leur intelligence et se sont demandés s'ils étaient eux-mêmes ou s'ils avaient été transformés en Simurgh. Alors pour eux-mêmes, ils tournèrent les yeux, et émerveillent les merveilles, ces mêmes oiseaux semblaient être un Simurgh ! (Attar, 1924, p. 117)
Alors le roi qu'ils cherchaient, habitait toujours dans les profondeurs d'eux-mêmes. En persan, si morgh signifie précisément "trente oiseaux". Celui qu'ils cherchaient dès le commencement se révélait comme l'unité spirituelle de ceux qui avaient traversé toutes les épreuves et laissaient mourir leur moi séparé.
C'est dans cette révélation que le travail d'Attar culmine. Le voyage extérieur devient un voyage intérieur; la recherche de Dieu devient la découverte de l'identité profonde entre l'amant et le Bien-Aimé, entre le chercheur et le recherché. Simurgh n'est pas seulement un être mythique. C'est le symbole de la réalité unique qui reste cachée sous la multiplicité des êtres.
Puis, à la fin du conte, Attar conclut:
Les oiseaux se sont perdus à jamais dans le Simurgh. L'ombre a disparu au soleil. Ni le voyageur n'est resté, ni le guide, ni le chemin. Trouver le Simurgh, ils se sont retrouvés et l'énigme du Soi et de l'Autre a été résolue. (Attar, 1924, p. 118)
La Conférence des Oiseaux est avant tout une profonde méditation sur la condition humaine. Il nous enseigne que le véritable chemin spirituel ne réside pas dans l'acquisition de nouvelles connaissances, mais dans le renoncement progressif à toute illusion qui nous sépare de notre nature la plus profonde. Seuls ceux qui sont prêts à se perdre peuvent finalement découvrir qui ils sont vraiment. Et ce n'est que lorsque le miroir de l'âme est devenu parfaitement clair que l'on peut reconnaître que la lumière si longtemps recherchée, en vérité, n'a jamais cessé de demeurer à l'intérieur.

PRESENTATION
Conceived as a continuation of the previous phase of the SPHERA project – now revealed as the acronym for SPiritual HEritage Research Area – this new cycle of original works brings together artworks and theoretical essays, each created independently yet raised by a common theme. Its purpose is to extend the gaze, apprehend the vision, and gather both sensory and intelligible impressions of the sphera of the natural world.
Nature, in all its diversity and complexity — in other words, in its infinitude — is not merely an organisational pattern of matter. Beyond its material envelope, Nature is also an energetic field: an active, living cosmos, a living being. As the chemist James Lovelock and the biologist Lynn Margulis argued in the 1970s, Nature actively maintains the chemical and climatic conditions necessary to keep the Earth habitable. Earth is a unified whole in which life and environment function together as parts of a living organism. Like every organism, the Earth has a purpose and continually constructs and transforms itself as an ongoing project, one whose deeper meaning remains yet to be uncovered .
Developed under the title Theatre of Apparitions within the framework of academic and scientific research, this process gave rise to the founding metaphor that enabled a deeper understanding of contemporary aesthetic and creative experience. As a purely intuitive and sensitive, yet consciously guided, process of gestation, this second phase of SPHERA emerged almost inevitably as a natural development of the first: a ripple spreading from the original stone cast into the pond.
APRESENTAÇÃO
Concebido como uma continuação da fase anterior do projeto SPHERA – agora revelada como a sigla de SPiritual HEritage Research Area (Área de Investigação do Património Espiritual) – este novo ciclo de obras originais reúne obras de arte e ensaios teóricos, cada um criado de forma independente, mas suscitado por um tema comum. Seu propósito é estender o olhar, apreender a visão e reunir impressões sensoriais e inteligíveis da esfera do mundo natural.
A natureza, em toda a sua diversidade e complexidade – em outras palavras, na sua infinitude – não é meramente um padrão organizativo da matéria. Além de seu envelope material, a Natureza é também um campo energético: um cosmos ativo e vivo, um ser vivo. Como o químico James Lovelock e a bióloga Lynn Margulis argumentaram na década de 1970, a Nature mantém ativamente as condições químicas e climáticas necessárias para manter a Terra habitável. A Terra é um todo unificado no qual a vida e o ambiente funcionam juntos como partes de um organismo vivo. Como todo organismo, a Terra tem um propósito e continuamente constrói e se transforma como um projeto em andamento, cujo significado mais profundo ainda está para ser descoberto.
Desenvolvido sob o título Teatro de Aparições no âmbito da pesquisa acadêmica e científica, este processo deu origem à metáfora fundadora que permitiu uma compreensão mais profunda da experiência estética e criativa contemporânea. Como um processo de gestação puramente intuitivo e sensível, mas conscientemente guiado, esta segunda fase de ESFERA surgiu quase inevitavelmente como um desenvolvimento natural do primeiro: uma ondulação que se espalha da pedra original lançada na lagoa.
PRÉSENTATION
Conçu comme une continuation de la phase précédente du projet SPHERA – maintenant révélé comme l'acronyme de SPiritual HEritage Research Area – ce nouveau cycle d'œuvres originales rassemble des œuvres d'art et des essais théoriques, chacun créé indépendamment mais inspiré d'un thème commun. Son but est d'étendre le regard, d'appréhender la vision et de recueillir à la fois des impressions sensorielles et intelligibles de la sphère du monde naturel.
La nature, dans toute sa diversité et sa complexité, c'est-à-dire dans son infinitude, n'est pas seulement un modèle organisationnel de la matière. Au-delà de son enveloppe matérielle, la Nature est aussi un champ énergétique: un cosmos actif, vivant, un être vivant. Comme l'ont soutenu le chimiste James Lovelock et la biologiste Lynn Margulis dans les années 1970, Nature maintient activement les conditions chimiques et climatiques nécessaires pour maintenir la Terre habitable. La Terre est un ensemble unifié dans lequel la vie et l'environnement fonctionnent ensemble comme des parties d'un organisme vivant. Comme tout organisme, la Terre a un but et se construit et se transforme continuellement en tant que projet en cours, dont le sens plus profond reste à découvrir.
Développé sous le titre Théâtre d'Apparitions dans le cadre de la recherche académique et scientifique, ce processus a donné naissance à la métaphore fondatrice qui a permis une compréhension plus profonde de l'esthétique contemporaine et de l'expérience créative. En tant que processus de gestation purement intuitif et sensible, mais consciemment guidé, cette deuxième phase de SPHERA émergea presque inévitablement comme un développement naturel de la première: une ondulation se propageant de la pierre d'origine coulée dans l'étang.

PROBLEMATICS
Whenever we speak of nature, the body or matter, we are necessarily also speaking of culture. For nature, the body and matter, even before they become objects of reflection, already belong to the realm of culture. They are not merely things to be thought about; they are, from the very outset, conceptual realities and, at the same time, ways of seeing – perspectives through which the world is disclosed. Every understanding of them arises from a particular angle of vision, one point of view among many others that remain equally possible.
If the body is animate and matter inert, then nature encompasses them both within the unity of life. Or rather, within Life itself – or, to express it substantively, within the living. Minerals nourish plants, and plants sustain animals. Just as flowers blossom and fruit ripens in the vegetable kingdom, so, in the animal kingdom, the psyche unfolds and consciousness flowers within it: the awakening through which the world first comes to be understood as a world. It is the emergence of an awareness that bears witness to spatial extension and temporal succession, both intrinsic to the shared condition of being and existing.
There is, therefore, no world without such a gaze. The grey, barren and seemingly inert Moon, even after its hidden face has been revealed, even after it has been visited by human beings, and even after it has become a repository of technology and a symbol of power, has lost none of its poetry or enchantment. And this is so because there is a gaze. An enchanted gaze, and therefore one that enchants. For wherever there is a gaze, there is also feeling and meaning – a mode of being in which the horizons of experience always exceed the objects experienced. They transcend them because they establish them as more than mere things. Indeed, things can never be only things. If there are things at all, it is because there is a gaze that constitutes them as things, conferring upon them identity and significance. That gaze is already something more than their mere existence.
Yet there is more than the gaze that recognises presence. There is also a second gaze – an ontological one – that turns upon the first, observing both its presence and its function. The first gaze is formative because it gives shape, and shape is the primary condition of meaning. Beyond it stands the ontological gaze, directed not immediately towards the world but towards this primordial act of formation itself. It is this second gaze that apprehends and distils the great enigma: the miracle of being, the wonder that there is something rather than nothing. The miracle of being is the prodigy of creation – a gift of the spirit, an act of pure emanation, or, if one prefers, of pure spiritual self-giving. It is an inexhaustible generosity, endlessly enriching, paradoxically timeless, even as it reveals itself in the fleeting instant.
Portuguese is one of the few languages that distinguishes between ser and estar. If ser expresses a mode of being that endures, unfolds and transforms itself despite the erosion of time, while estar denotes a temporary state, exposed to decline and dissolution, then Portuguese liberates being from every fixed condition. It understands life as the continual emanation of ser and the perpetual overcoming of estar – that is, as a process of spiritually inspired creation. In a single word, as genesis. And gestation.
It is our conviction that this ontological gaze upon the natural sphera must be recovered – or rather, renewed. It is, as far as possible, a redemptive gaze. How do we perceive the natural sphera? As the place where things simply exist? As an extension of ourselves? As the frame within which events unfold? As a backdrop for human intervention? Or, ultimately, as a partner in a shared enterprise? Do we perceive it as a Voice? And if it is indeed a voice that calls to us, are we still capable of hearing it?
We must also ask whether the natural sphera can continue to assert this ontological perspective in an age increasingly governed by scientific explanation. Can science itself accommodate the kind of knowledge that belongs to being as such? A profoundly telluric, animal, mystical and cosmic intuition seems to whisper that to be a tree, a leaf, a river, a stream or a breeze is infinitely more than merely existing. Seen through the ontological gaze, these are not simply identifiable objects; they become manifestations of being itself. Can the formative gaze – conditioned by the very forms it has produced – come to dominate the ontological gaze, even though the latter both deepens and completes the former? And if it cannot extinguish it altogether, can it nevertheless distort it by dismissing it as merely subjective, dreamlike or fictitious, reducing it to an awkward metaphysical aberration? By associating the ontological gaze with the intangible, the arbitrary or the irrational, does not the formative gaze ultimately usurp its place and function, banishing it to the deepest recesses of the unconscious, exiling it to the Hades of instinct and drive?
The formative gaze, when it remains confined to things themselves, may gradually become a repressive and punitive gaze, particularly towards the ontological gaze that scrutinises and questions it. It is precisely because the latter unsettles its certainties that it provokes resistance. The formative gaze seeks to occupy the whole field of vision, reducing reality to what is merely visible, to whatever falls within the limits of the perceptible spectrum.
Yet its consequences extend beyond the suppression of the ontological gaze, which perceives things as more than mere things. By objectifying the natural sphera, the formative gaze simultaneously impoverishes it. If the dreamlike imagination anthropomorphises nature, projecting onto it human – or even divine – qualities, at times to the point of delirium, the objectifying gaze moves in the opposite direction: it diminishes nature, reducing it to a collection of measurable data, to quantifiable information, to what Rudolf Steiner would have called the Ahrimanic reign of number.
The ontological gaze, however, is neither isolated nor defenseless. It possesses an intrinsic sovereignty, for the vision that animates and illuminates it is none other than the vision proper to art itself. It is the genetic gaze: the gaze open to creation, and available only through the creative act.
It is with this gaze that we propose to journey through the Sphera – the sphere of creation. We have often said that what matters is to open the eyes that lie closed within our open eyes. For eyes are truly open only when they open themselves to creation. Within time, nothing is definitive; nothing is ever repeated. The only repetition conceivable is that of the creative impulse which, by its very nature, abolishes repetition. We ourselves are that movement: the undulation, the serpent, the spiral, the cornucopia, the shell.
It is precisely this irreducible absence of repetition that enables us to restate, now as an affirmation, the question with which we concluded the presentation of the previous project:
The idea of a spiritual Sphera, governed by the Abellian principle of universal interdependence and inspired by the imperative to live artistically, points towards a Utopian yet tangible horizon: the highest of all arts – the art of imagining society itself as a work of art, spiritually brought into being in common!
In this world, trees think, mountains sing, and rivers whisper. Only art can hear them, and only art can truly see them.
Through the Theatre of Apparitions (!)
PROBLEMÁTICA
Sempre que falamos da natureza, do corpo ou da matéria, estamos necessariamente falando também de cultura. Para a natureza, o corpo e a matéria, mesmo antes de se tornarem objetos de reflexão, já pertencem ao reino da cultura. Eles não são apenas coisas para ser pensado; eles são, desde o início, realidades conceituais e, ao mesmo tempo, maneiras de ver – perspectivas através das quais o mundo é divulgado. Toda compreensão deles surge de um ângulo particular de visão, um ponto de vista entre muitos outros que permanecem igualmente possíveis.
Se o corpo é animado e a matéria inerte, então a natureza abrange ambos dentro da unidade da vida. Ou melhor, dentro da própria Vida – ou, para expressá-la substantivamente, dentro dos vivos. Os minerais nutrem as plantas e as plantas sustentam os animais. Assim como as flores florescem e as frutas amadurecem no reino vegetal, assim, no reino animal, a psique se desenrola e a consciência floresce dentro dela: o despertar através do qual o mundo primeiro vem a ser entendido como um mundo. É o surgimento de uma consciência que dá testemunho de extensão espacial e sucessão temporal, tanto intrínseca à condição compartilhada de ser como de existir.
Não há, portanto, nenhum mundo sem tal olhar. A Lua cinzenta, estéril e aparentemente inerte, mesmo depois de seu rosto oculto ter sido revelado, mesmo depois de ter sido visitada por seres humanos, e mesmo depois de ter se tornado um repositório de tecnologia e um símbolo de poder, não perdeu nada de sua poesia ou encantamento. E isso é assim porque há um olhar. Um olhar encantado e, portanto, um que encanta. Pois onde quer que haja um olhar, há também sentimento e significado – um modo de ser em que os horizontes de experiência sempre ultrapassam os objetos experimentados. transcendem-nos porque os estabelecem como mais do que meras coisas. Na verdade, as coisas nunca podem ser apenas coisas. Se há coisas em tudo, é porque há um olhar que as constitui como coisas, conferindo-lhes identidade e significado. Esse olhar já é algo mais do que sua mera existência.
No entanto, há mais do que o olhar que reconhece a presença. Há também um segundo olhar – um ontológico – que se volta para o primeiro, observando tanto sua presença quanto sua função. O primeiro olhar é formativo porque dá forma, e a forma é a condição primária de significado. Além dele está o olhar ontológico, dirigido não imediatamente para o mundo, mas para este ato primordial de formação em si. É este segundo olhar que apreende e destila o grande enigma: o milagre do ser, a maravilha de que há algo em vez de nada. O milagre do ser é o prodígio da criação – um dom do espírito, um ato de pura emanação, ou, se preferir, de pura doação espiritual. É uma generosidade inesgotável, infinitamente enriquecedora, paradoxalmente atemporal, mesmo quando se revela no instante fugaz.
O português é uma das poucas línguas que distingue entre ser e ester Se ser expressa um modo de ser que suporta, se desdobra e se transforma apesar da erosão do tempo, enquanto ester denota um estado temporário, exposto ao declínio e dissolução, então o português liberta estar de cada condição fixa. Ele entende a vida como a contínua emanação do ser e a superação perpétua da estar – isto é, como um processo de criação espiritualmente inspirada. Numa única palavra, como a gênese. E a gestação.
É nossa convicção que este olhar ontológico sobre a esfera natural deve ser recuperado – ou melhor, renovado. É, na medida do possível, um olhar redentor. Como percebemos a esfera natural? Como o lugar onde as coisas simplesmente existem? Como uma extensão de nós mesmos? Como o quadro dentro do qual os eventos se desenrolam? Como pano de fundo para a intervenção humana? Ou, em última análise, como um parceiro em uma empresa compartilhada? Será que o percebemos como uma Voz? E se é de fato uma voz que nos chama, ainda somos capazes de ouvi-la?
Devemos também perguntar se a esfera natural pode continuar a afirmar essa perspectiva ontológica em uma época cada vez mais governada pela explicação científica. A própria ciência pode acomodar o tipo de conhecimento que pertence a ser como tal? Uma intuição profundamente telúrica, animal, mística e cósmica parece sussurrar que ser uma árvore, uma folha, um rio, um riacho ou uma brisa é infinitamente mais do que meramente existente. Visto através do olhar ontológico, estes não são simplesmente objetos identificáveis; eles se tornam manifestações do próprio ser. Pode o olhar formativo – condicionado pelas próprias formas que produziu – passar a dominar o olhar ontológico, mesmo que o último tanto se aprofunde e complete o primeiro? E se ele não pode extingui-lo completamente, pode, no entanto, distorcê-lo, descartando-o como meramente subjetivo, onírico ou fictício, reduzindo-o a uma aberração metafísica estranha? Ao associar o olhar ontológico com o intangível, o arbitrário ou o irracional, o olhar formativo não usurpa, em última análise, o seu lugar e função, banindo-o para os recessos mais profundos do inconsciente, exilando-o para o Hades do instinto e da pulsão?
O olhar formativo, quando permanece confinado às coisas em si, pode gradualmente tornar-se um olhar repressivo e punitivo, particularmente para o olhar ontológico que o examina e questiona. É precisamente porque esta última inquieta as suas certezas que provoca resistência. O olhar formativo procura ocupar todo o campo de visão, reduzindo a realidade ao que é meramente visível, para o que quer que esteja dentro dos limites do espectro perceptível.
No entanto, suas conseqüências se estendem além da supressão do olhar ontológico, que percebe as coisas como mais do que meras coisas. Ao objetivar a esfera natural, o olhar formativo simultaneamente a empobrece. Se a imaginação onírica antropomorfiza a natureza, projetando nela qualidades humanas – ou mesmo divinas –, às vezes até o ponto de delírio, o olhar objetivador se move na direção oposta: diminui a natureza, reduzindo-a a uma coleção de dados mensuráveis, a informações quantificáveis, ao que Rudolf Steiner teria chamado de reinado arimânico de número.
O olhar ontológico, no entanto, não é isolado nem indefeso. Possui uma soberania intrínseca, pois a visão que a anima e ilumina não é outra senão a visão própria da própria arte. É o olhar genético: o olhar aberto à criação, e disponível somente através do ato criativo.
É com este olhar que nos propomos a percorrer a Esfera – a esfera da criação. Muitas vezes dissemos que o que importa é abrir os olhos que estão fechados dentro de nossos olhos abertos. Pois os olhos estão verdadeiramente abertos somente quando se abrem para a criação. Dentro do tempo, nada é definitivo; nada é repetido. A única repetição concebível é a do impulso criativo que, por sua própria natureza, abole a repetição. Nós mesmos somos esse movimento: a ondulação, a serpente, a espiral, a cornucópia, a casca.
É precisamente esta irredutível ausência de repetição que nos possibilita reafirmar, agora como afirmação, a questão com que concluímos a apresentação do projeto anterior:
A ideia de uma Esfera espiritual, governada pelo princípio abeliano da interdependência universal e inspirada pelo imperativo de viver artisticamente, aponta para um horizonte utópico, mas tangível: a mais alta de todas as artes – a arte de imaginar a própria sociedade como uma obra de arte, espiritualmente trazida à existência em comum!
Neste mundo, as árvores pensam, as montanhas cantam e os rios sussurram. Só a arte pode ouvi-los, e só a arte pode realmente vê-los.
Através do Teatro das Aparições (!)
PROBLÉMATIQUE
Chaque fois que nous parlons de nature, de corps ou de matière, nous parlons nécessairement aussi de culture. Pour la nature, le corps et la matière, avant même qu'ils ne deviennent des objets de réflexion, appartiennent déjà au domaine de la culture. Ce ne sont pas seulement des choses à considérer; ils sont, dès le début, des réalités conceptuelles et, en même temps, des façons de voir – des perspectives à travers lesquelles le monde est divulgué. Chaque compréhension d'eux découle d'un angle de vision particulier, un point de vue parmi beaucoup d'autres qui restent également possibles.
Si le corps est animé et que la matière est inerte, alors la nature les englobe tous les deux dans l'unité de la vie. Ou plutôt, dans la Vie elle-même – ou, pour l'exprimer de manière substantielle, dans le vivant. Les minéraux nourrissent les plantes et les plantes soutiennent les animaux. De même que les fleurs fleurissent et les fruits mûrissent dans le règne végétal, de même, dans le règne animal, la psyché se déploie et la conscience fleurit en son sein: l'éveil par lequel le monde vient d'abord à être compris comme un monde. C'est l'émergence d'une prise de conscience qui témoigne de l'extension spatiale et de la succession temporelle, à la fois intrinsèque à la condition partagée d'être et d'exister.
Il n'y a donc pas de monde sans un tel regard. La Lune grise, stérile et apparemment inerte, même après que sa face cachée a été révélée, même après avoir été visitée par des êtres humains, et même après qu'elle soit devenue un référentiel de technologie et un symbole de pouvoir, n'a rien perdu de sa poésie ou de son enchantement. Et c'est ainsi parce qu'il y a un regard. Un regard enchanté, et donc celui qui enchante. Car partout où il y a un regard, il y a aussi du sentiment et de la signification – un mode d'être dans lequel les horizons de l'expérience dépassent toujours les objets vécus. Ils les transcendent parce qu'ils les établissent comme plus que de simples choses. En effet, les choses ne peuvent jamais être que des choses. S'il y a des choses, c'est parce qu'il y a un regard qui les constitue comme des choses, leur conférant identité et signification. Ce regard est déjà quelque chose de plus que leur simple existence.
Pourtant, il y a plus que le regard qui reconnaît la présence. Il y a aussi un second regard – un regard ontologique – qui tourne sur le premier, observant à la fois sa présence et sa fonction. Le premier regard est formateur parce qu'il donne de la forme, et la forme est la condition première du sens. Au-delà se trouve le regard ontologique, dirigé non pas immédiatement vers le monde mais vers cet acte primordial de formation lui-même. C'est ce second regard qui appréhende et distille la grande énigme : le miracle de l'être, l'émerveillement qu'il y a quelque chose plutôt que rien. Le miracle de l'être est le prodige de la création – un don de l'esprit, un acte d'émanation pure, ou, si l'on préfère, de pur don de soi spirituel. C'est une générosité inépuisable, interminablement enrichissante, paradoxalement intemporelle, alors même qu'elle se révèle dans l'instant fugace.
Le portugais est l'une des rares langues qui distingue entre le ser et l'estar. Si ser exprime un mode d'être qui perdure, se déploie et se transforme malgré l'érosion du temps, tandis que l'estar désigne un état temporaire, exposé au déclin et à la dissolution, alors le portugais libère d'être de toutes les conditions fixes. Il comprend la vie comme l'émanation continuelle du ser et le dépassement perpétuel de l'estar – c'est-à-dire comme un processus de création spirituellement inspirée. En un seul mot, comme genèse. Et la gestation.
Nous sommes convaincus que ce regard ontologique sur la sphère naturelle doit être récupéré – ou plutôt renouvelé. C'est, dans la mesure du possible, un regard rédempteur. Comment percevons-nous la sphère naturelle ? Comme le lieu où les choses existent simplement ? Comme une extension de nous-mêmes ? Comme le cadre dans lequel les événements se déroulent? Comme toile de fond pour l'intervention humaine ? Ou, en fin de compte, en tant que partenaire dans une entreprise partagée? Est-ce que nous le percevons comme une voix ? Et si c'est effectivement une voix qui nous appelle, sommes-nous encore capables de l'entendre ?
Nous devons également nous demander si la sphère naturelle peut continuer à affirmer cette perspective ontologique à une époque de plus en plus régie par une explication scientifique. La science elle-même peut-elle s'adapter au type de connaissance qui appartient à être en tant que telle ? Une intuition profondément tellurique, animale, mystique et cosmique semble murmurer qu'être un arbre, une feuille, une rivière, un ruisseau ou une brise est infiniment plus qu'existant. Vus à travers le regard ontologique, ce ne sont pas simplement des objets identifiables; ils deviennent des manifestations d'être lui-même. Le regard formateur – conditionné par les formes mêmes qu'il a produites – peut-il en venir à dominer le regard ontologique, alors même que le second s'approfondit et complète le premier ? Et s'il ne peut pas l'éteindre complètement, peut-il néanmoins le dénaturer en le rejetant comme simplement subjectif, onirique ou fictif, le réduisant à une aberration métaphysique maladroite ? En associant le regard ontologique à l'immatériel, à l'arbitraire ou à l'irrationnel, le regard formatif n'usurpe-t-il finalement pas sa place et sa fonction, le bannissant dans les recoins les plus profonds de l'inconscient, l'exilant-il vers les Hadès de l'instinct et de la conduite ?
Le regard formatif, lorsqu'il reste confiné aux choses elles-mêmes, peut progressivement devenir un regard répressif et punitif, en particulier vers le regard ontologique qui le scrute et le questionne. C'est précisément parce que ce dernier perturbe ses certitudes qu'il provoque la résistance. Le regard formateur cherche à occuper tout le champ de la vision, en réduisant la réalité à ce qui est simplement visible, à tout ce qui entre dans les limites du spectre perceptible.
Pourtant, ses conséquences s'étendent au-delà de la suppression du regard ontologique, qui perçoit les choses comme plus que de simples choses. En objectivant la sphère naturelle, le regard formateur l'appauvrit simultanément. Si l'imaginaire onirique anthropomorphise la nature, en s'y projetant des qualités humaines – voire divines –, parfois jusqu'au délire, le regard objectivant se déplace dans la direction opposée : il diminue la nature, la réduisant à une collection de données mesurables, à des informations quantifiables, à ce que Rudolf Steiner aurait appelé le règne ahrimanique du nombre.
Le regard ontologique, cependant, n'est ni isolé ni sans défense. Elle possède une souveraineté intrinsèque, car la vision qui l'anime et l'illumine n'est autre que la vision propre à l'art lui-même. C'est le regard génétique: le regard ouvert à la création, et disponible uniquement par l'acte créateur.
C'est avec ce regard que nous proposons de parcourir la Sphère – la sphère de la création. Nous avons souvent dit que ce qui compte, c'est d'ouvrir les yeux qui se referment dans nos yeux ouverts. Car les yeux ne sont vraiment ouverts que lorsqu'ils s'ouvrent à la création. Dans le temps, rien n'est définitif; rien ne se répète jamais. La seule répétition concevable est celle de l'impulsion créatrice qui, par sa nature même, abolit la répétition. Nous sommes nous-mêmes ce mouvement: l'ondulation, le serpent, la spirale, la cornucopie, la coquille.
C'est précisément cette irréductible absence de répétition qui nous permet de réaffirmer, maintenant comme affirmation, la question avec laquelle nous avons conclu la présentation du projet précédent :
L'idée d'une Sphère spirituelle, régie par le principe abellien de l'interdépendance universelle et inspirée par l'impératif de vivre artistiquement, pointe vers un horizon utopique mais tangible: le plus haut de tous les arts – l'art d'imaginer la société elle-même comme une œuvre d'art, spirituellement mise en commun !
Dans ce monde, les arbres pensent, les montagnes chantent, et les rivières murmurent. Seul l'art peut les entendre, et seul l'art peut vraiment les voir.
À travers le théâtre des apparitions (!)
José Guilherme Abreu (CITAR)
Mário Caeiro (LIDA)

Theater of Apparitions
Wonderment Practices in the Spatial Configuration of the Common
Observing our time implies the recognition of a disturbing symptom: a society driven by techno-scientific utopianism, seeking to obliterate and forget the forms of vulnerability and finitude. Dealing with a condition that is denied and relegated to the margins calls us to open new dimensions of inclusiveness, if we recognize the demand to integrate the new and the different. Art has always been able to make space for offering new ways of seeing – from our common exposure to the fragility of being.
Theater of Apparitions is a research project informed by contemporary artistic creation. It aims to show some configurations of this common space fertilized by the creation of place for the totally other as an apparition, i.e., as a destabilizing event and insurrection – a term to which Georges Didi-Huberman gave renewed meaning – creator of the human being. The aim will be to create and recreate the conditions for welcoming the manifestations of wonderment – recovering the broad meaning of Greek thaumazein – and its relational intensities, reaching light for the cartographies emerging from the ordinary, in a series of multidisciplinary cultural initiatives capable of showing this moving horizon where uncertainty and trust, discovery and recognition are mixed.
It will be a matter of showing the constellation of the encounter between now and the past, one that brought out the critical energy of the dialectical images about which Walter Benjamin spoke. Invoking the being and knowledge of the different agents of the imagination, we will seek to undertake innovative readings of the multiple bridges and connections that can be established between the arts, sciences and the humanities. For that it is necessary to make wonderment the first – and most original – relational technology.
Teatro das Aparições
Práticas de Deslumbramento na Configuração Espacial do Comum
Olhar o tempo presente implica o reconhecimento de um sintoma inquietante: uma sociedade impulsionada pelo utopismo tecno-científico procura obliterar e esquecer as formas da vulnerabilidade e da finitude. Lidar com essa condição denegada e relegada para as margens, convoca-nos à abertura de novas dimensões da inclusividade, se nela escutarmos o apelo a integrar o novo e o diferente. A arte desde sempre soube abrir o espaço para este dar a ver – da nossa comum exposição à fragilidade do existir.
O Teatro das Aparições é um projeto de investigação informado pela criação artística contemporânea. Tem por objetivo dar a ver algumas configurações desse espaço-em-comum aberto pela criação do lugar do totalmente outro enquanto aparição, i.e., enquanto acontecimento desestabilizador e insurreição – termo ao qual Georges Didi-Huberman deu renovado sentido – criadora do (ser) humano. Procurar-se-á criar e recriar as condições de acolhimento das manifestações do espanto – recuperando o sentido amplo do thaumazein grego – e das suas intensidades relacionais, alcançando luz para as cartografias emergentes do comum, numa série de iniciativas culturais multidisciplinares capazes de dar a ver este horizonte movente onde se mistura incerteza e confiança, descoberta e reconhecimento.
Tratar-se-á de dar a ver a constelação do encontro do agora com o outrora, aquela que fazia aparecer a energia crítica das imagens dialéticas de que falava Walter Benjamin. Convocando o ser e o saber dos diferentes agentes da imaginação, procurar-se-á empreender leituras inovadoras das múltiplas pontes e ligações que possam ser estabelecidas entre artes, ciências e humanidades. Pois há que fazer do espanto a primeira – e mais originária – tecnologia relacional.
Théâtre des Apparitions
Pratiques de Émerveillement dans la Configuration Spaciale du Commun
Observer notre temps implique la reconnaissance d'un symptôme inquiétant: une société animée par l'utopisme technoscientifique, cherchant à effacer et oublier les formes de vulnérabilité et de finitude. Faire face à une condition qui est refusée et reléguée aux marges, nous appelle à ouvrir de nouvelles dimensions d'inclusion, si nous reconnaissons la demande d'intégrer le nouveau et le différent. L'art a toujours pu ouvrir de l'espace pour offrir nouvelles façons de voir – de notre exposition commune à la fragilité de l'être.
Le Théâtre des Apparitions est un projet de recherche inspiré par la création artistique contemporaine. Il vise à faire en sorte que certaines configurations de cet espace commun soient ouvertes par la création de l'absolument neuf, en tant qu'apparition, c'est-à-dire comme un événement déstabilisateur et une insurrection – terme auquel Georges Didi-Huberman a donné un sens renouvelé – créateur de l'être humain. L'objectif sera de créer et de recréer les conditions pour accueillir les manifestations d'émerveillement – récupérer le sens large du thaumazein grecque – et ses intensités relationnelles, en apportant de la lumière aux cartographies émergentes du commun, dans une série d'initiatives culturelles multidisciplinaires capables de montrer cet horizon mouvant où l'incertitude et la confiance, la découverte et la reconnaissance sont mélangées.
Il s'agira de montrer la constellation de la rencontre entre maintenant et le passé, qui a mis en lumière l'énergie critique des images dialectiques dont Walter Benjamin a parlé. En invoquant l'être et la connaissance des différents agents de l'imagination, nous chercherons à réaliser des lectures innovantes des multiples ponts et connexions qui peuvent être établis entre les arts, les sciences et les sciences humaines. Pour cela, il est nécessaire de faire des merveilles de la première – et la plus originale – technologie relationnelle.
Mário Caeiro (LIDA)
Madalena Folgado (LIDA)
Rodrigo Silva (LIDA)

Spherical Journeys | Viagens Esféricas | Voyages Sphériques
On the Earth, as within the Light | Assim na Terra, como na Luz | Sur la Terre, ainsi que dans la Lumière
Part I - World
The Metastases of Fire
The Torrents of Air
The Metamorphoses of Water
The Roots of the Earth
The Tree, Living Knowledge
Part II - Mind
Inside as Outside
Crossing the Landscapes of Silence
If Mountains Could Sing
In the Clearings of Dwelling
Flying over the Gorges of Psyché
Epilogue
The Journey to Spiritual Intelligence

Ebook - SPHERA II
Bios | Biografias | Biographies
In order of entry in the book | Por ordem de entrada no livro | Par ordre d'entrée dans le livre
Readings | Leituras | Lectures
Reflections, Analyses, Comments | Reflexões, Análises, Comentários | Réflexions, Analyses, Commentaires
This section will feature a series of analyses, reflections and comments by various invited authors (artists and researchers), with the aim of launching a wider discussion and debate about the complementarity and friction between artistic and verbal communication.
This section is intended to be dynamic. Texts will be inserted as they are received.
Esta secção contará com uma série de análises, reflexões e comentários de vários autores convidados (artistas e pesquisadores), com o objetivo de lançar uma discussão e debate mais amplos sobre a complementaridade e o atrito entre a comunicação artística e verbal.
Esta secção pretende ser dinâmica. Os textos serão inseridos à medida que forem recebidos.
Cette section présentera une série d'analyses, de réflexions et de commentaires de divers auteurs invités (artistes et chercheurs), dans le but de lancer une discussion et un débat plus larges sur la complémentarité et les frictions entre communication artistique et communication verbale.
Cette section est destinée à être dynamique. Les textes y seront insérés au fur et à mesure de leur réception.
Acknowledgments
The editors want to express their gratitude to those who have contributed to make this project possible.
First and foremost, we wish to thank the authors — artists and researchers — who have contributed their talent, knowledge and expertise to the conception, development and publication of this work.
We are equally grateful to the members of the Executive and Scientific Committees, who have lent their names, experience and expertise in support of the project.
Our thanks also go to the members of the governing bodies of the respective University Research Centres, who agreed to provide institutional support for the project. Their backing has not only been invaluable to its development, but has also lent credibility to an undertaking whose conception and implementation are, by their very nature, manifestly experimental.
We would like to express our deepest gratitude, moreover, to all the artists, researchers, scholars and enthusiasts engaged in exploring the entanglement of artistic creation and scientific research. Their analyses, comments and assessments have provided us with both the encouragement and the inspiration to move forward, extending the scope of our endeavours towards broader fields of inquiry and more inclusive audiences.
Finally, we wish to thank all those who have contributed their creativity, skills and expertise to the technical and practical work involved in bringing this project to fruition. Their dedication and commitment have been essential in transforming the project from an idea into a reality.
Agradecimentos
Os editores querem expressar sua gratidão àqueles que contribuíram para tornar este projeto possível.
Em primeiro lugar, queremos agradecer aos autores – artistas e pesquisadores – que contribuíram com seu talento, conhecimento e experiência para a concepção, desenvolvimento e publicação deste trabalho.
Somos igualmente gratos aos membros dos Comitês Executivo e Científico, que emprestaram seus nomes, experiência e experiência em apoio ao projeto.
Nossos agradecimentos também vão para os membros dos órgãos governamentais dos respectivos Centros de Pesquisa Universitário, que concordaram em fornecer apoio institucional para o projeto. Seu apoio não só foi inestimável para o seu desenvolvimento, mas também emprestou credibilidade a um empreendimento cuja concepção e implementação são, por sua própria natureza, manifestamente experimentais.
Gostaríamos de expressar nossa mais profunda gratidão, além disso, a todos os artistas, pesquisadores, estudiosos e entusiastas envolvidos na exploração do entrelaçamento da criação artística e da pesquisa científica. Suas análises, comentários e avaliações nos forneceram tanto o incentivo quanto a inspiração para avançar, ampliando o escopo de nossos esforços para campos mais amplos de investigação e audiências mais inclusivas.
Por fim, gostaríamos de agradecer a todos aqueles que contribuíram com sua criatividade, habilidades e expertise para o trabalho técnico e prático envolvido em concretizar este projeto. Sua dedicação e compromisso têm sido essenciais para transformar o projeto de uma ideia em uma realidade.
Remerciements
Les éditeurs veulent exprimer leur gratitude à ceux qui ont contribué à rendre ce projet possible.
Tout d'abord, nous tenons à remercier les auteurs – artistes et chercheurs – qui ont apporté leur talent, leurs connaissances et leur expertise à la conception, au développement et à la publication de ce travail.
Nous sommes également reconnaissants aux membres des Comités exécutif et scientifique, qui ont prêté leur nom, leur expérience et leur expertise à l'appui du projet.
Nous remercions également les membres des organes directeurs des Centres de recherche universitaires respectifs, qui ont accepté de fournir un soutien institutionnel au projet. Leur soutien a non seulement été inestimable pour son développement, mais a également donné de la crédibilité à une entreprise dont la conception et la mise en œuvre sont, de par leur nature même, manifestement expérimentales.
Nous tenons à exprimer notre plus profonde gratitude, en outre, à tous les artistes, chercheurs, chercheurs et passionnés engagés dans l'exploration de l'enchevêtrement de la création artistique et de la recherche scientifique. Leurs analyses, commentaires et évaluations nous ont fourni à la fois l'encouragement et l'inspiration pour aller de l'avant, en élargissant la portée de nos efforts vers des domaines d'enquête plus larges et des publics plus inclusifs.
Enfin, nous tenons à remercier tous ceux qui ont apporté leur créativité, leurs compétences et leur expertise aux travaux techniques et pratiques impliqués dans la réalisation de ce projet. Leur dévouement et leur engagement ont été essentiels pour transformer le projet d'une idée en réalité.
BONUS PIECE | BÓNUS | BONUS PIÈCE
Barto's Spherical Gallery | Galeria Esférica de Barto | Galerie Sphérique de Barto

Engravings by Bartolomeu Cid dos Santos (1931-2008) | Gravuras por Bartolomeu Cid dos Santos | Étampes par Bartolomeu Cid dos Santos
Images used: Ascending Sphere, 1972, engraving on paper; Labyrinth, 1970, engraving on paper; The Ancestor, 1972, engraving on paper; Atlantis Revisited, 1973, engraving on paper; Atlantis, 1971, engraving on paper; Forbidden Garden, 1971, engraving on paper; The Visitor, 1972, engraving on paper; Under the Surface, 1998, mixed technique; Festim, 1958, engraving on paper. Source: https://gulbenkian.pt/cam/en/artist/bartolomeu-cid-dos-santos-2/
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Albert Ayler & Mary Maria (Mary Parks), Nuits de la Fondation Maeght, 1970, Credit: Phillipe Gras; Dave Holland, Conference of the Birds, 1973, Sheet Music, In, Bogue R. (2003) Deleuze on Music, Painting and the Arts, London & New York; Routledge; Dave Holland and Sam Rivers, 1973, In, Music Aficionado. URL: https://musicaficionado.blog/2017/05/15/conference-of-the-birds-by-dave-holland/; Dave Holland, The Conference of the Birds, ECM 1027, URL: https://ecmrecords.com/product/conference-of-the-birds-david-holland-quartet/Barto's Short Bio
Bartolomeu Cid dos Santos- Barto, his artistic name, was born in Lisbon in 1931. studied at the Escola Superior de Belas Artes, from 1950 until 1956. In October 1956, he came to London for what was intended to be a single "graduate non-diploma year" of further study at the Slade School of Fine Art, but the end of his first year in June 1957 he was awarded the first prize for etching.
Later he would say: "I did not know what the word etcher meant. But I soon found out, and with it the potentialities of aquatint with its deep, profound blacks and beautiful half-tones that Goya understood so well." For the rest of his life Barto was fascinated by "deep, profound blacks and beautiful half-tones", and in 1956-57 he came to be permanently in love with the Slade, with London, and with Professor Sir William Coldstrea. His teachers were William Townsend and Anthony Gross, the one English, the other introduced to him as "a European". He admired them both. For dos Santos the tolerant attitude at the Slade, the constant discussion of everything, was a breath of fresh air after his youth in Fascist Portugal. The theme of freedom versus imprisonment was to produce recurring images in his art. He stayed to teach at the Slade, joining the full-time staff in 1961, becoming Head of Printmaking and eventually in 1994 was belatedly given the status of a full Professor of Fine Art.
Dos Santos's prints were shown at the Arts Council's "Young Contemporaries" exhibition in 1957, and also at the first Gulbenkian Exhibition of Modern Art in the same year in Lisbon. There was to be no year in the next 50 when he did not show work in an exhibition, and there were to be over a hundred one-man shows, not just in Britain or in Portugal, but all over Europe, the Americas and Asia.
His creativity knew no bounds. Menu cards for Air Portugal; covers and illustrations for books; large-scale murals in etched limestone for the Lisbon underground station serving the National Library, with clever references to Portuguese literature; the huge monument at Grândola to the 1974 revolution in Portugal which freed the country from Fascism; a further etched mural for an underground station in Tokyo.
His distinctive prints are in almost every important collection in the world – the British Museum, the V&A, the Ashmolean, the Fitzwilliam, the Bodleian, the Albertina in Vienna, the Bibliothèque Nationale in Paris, the Museum of Modern Art in New York.
Barto dos Santos was also a leading member of the Crabtree Foundation, that semi-secret society at the heart of UCL. He delivered the Crabtree Oration in 1985, a brilliant performance on "Joseph Crabtree and the Caliph of Fonthill", and was president of the foundation in 1993.
For a decade or more, he and his wife Fernanda entertained former Crabtree orators and other elders of the foundation every other year for a splendid party at their spectacular house in Sintra, varied by a visit to Tavira, the pretty old fishing port on the south coast of Portugal where the Gulbenkian Foundation had contributed to provide him with a studio.
He was honoured in 1995 by his election as a Fellow of University College London. He continued to move frequently between his houses in London and Sintra, spreading enlightenment and enjoyment to a wide circle of friends. Recovering apparently well from one cancer, he was zapped by another. He died in University College Hospital, a stone's throw across Gower Street from his beloved Slade.
Professor of Fine Art 1994-96 (Emeritus), Fellow 1995-2008; married first Susan Plant (three daughters), secondly 1988 Fernanda Oliveira Paixao (two stepsons); died in London 21 May 2008.
Source: Negley Hart, Professor Bartolomeu dos Santos: Creative printmaker and teacher at the Slade School of Fin, In, The Independent, 04 June 2008. URL: https://www.independent.co.uk/news/obituaries/professor-bartolomeu-dos-santos-creative-printmaker-and-teacher-at-the-slade-school-of-fine-art-839559.html
Note: In 2024, the bibliographic collection of Bartolomeu Cid dos Santos was donated to the Municipality of Tavira, and lodged in Biblioteca Álvaro de Campos, by the widow of the late artist and one of Europe's greatest engravers, who had a workshop in this city.
See interview with Barto here: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/bartolomeu-cid-santos/
Biografia Breve de Barto
Bartolomeu Cid dos Santos- Barto, seu nome artístico, nasceu em Lisboa em 1931. estudou na Escola Superior de Belas Artes, de 1950 até 1956. Em outubro de 1956, ele veio a Londres para o que pretendia ser um único "ano de pós-graduação não-diploma" de estudo mais aprofundado na Slade School of Fine Art, mas o final de seu primeiro ano em junho de 1957 ele foi premiado com o primeiro prêmio por gravação.
Mais tarde, ele diria: "Eu não sabia o que a palavra etc. Mas logo descobri, e com isso as potencialidades da aquatinta com seus negros profundos e belos meio-tons que Goya entendeu tão bem. Para o resto de sua vida, Barto ficou fascinado por "negros profundos e profundos e belos meio-tons", e em 1956-57 ele passou a ser permanentemente apaixonado pelo Slade, com Londres, e com o professor Sir William Coldstrea. Seus professores eram William Townsend e Anthony Gross, um inglês, o outro lhe apresentou como "um europeu". Ele admirava os dois. Para os Santos a atitude tolerante no Slade, a discussão constante de tudo, foi uma lufada de ar fresco depois da sua juventude em Portugal Fascista. O tema da liberdade versus prisão era produzir imagens recorrentes em sua arte. Ele ficou para ensinar no Slade, juntando-se à equipe em tempo integral em 1961, tornando-se chefe de gravura e, eventualmente, em 1994, recebeu tardiamente o status de professor completo de belas-artes.
As gravuras de Dos Santos foram exibidas na exposição "Jovens Contemporâneos" do Conselho de Artes em 1957, e também na primeira Exposição Gulbenkian de Arte Moderna no mesmo ano em Lisboa. Não havia ano nos próximos 50 anos em que ele não mostrava trabalho em uma exposição, e havia mais de cem shows de um homem só, não apenas na Grã-Bretanha ou em Portugal, mas em toda a Europa, Américas e Ásia.
Sua criatividade não conhecia limites. Cartões de menu para a Air Portugal; capas e ilustrações para livros; murais de grande escala em calcário gravado para a estação de metro de Lisboa que serve a Biblioteca Nacional, com referências inteligentes à literatura portuguesa; o enorme monumento em Grândola à revolução de 1974 em Portugal que libertou o país do fascismo; um mural adicional gravado para uma estação de metro em Tóquio.
Suas estampas distintas estão em quase todas as coleções importantes do mundo – o Museu Britânico, o V&A, o Ashmolean, o Fitzwilliam, o Bodleian, o Albertina em Viena, a Bibliothèque Nationale em Paris, o Museu de Arte Moderna em Nova York.
Barto dos Santos também foi um dos principais membros da Fundação Crabtree, aquela sociedade semi-secreta no coração da UCL. Ele fez a Oração Crabtree em 1985, uma performance brilhante em "Joseph Crabtree and the Caliph of Fonthill", e foi presidente da fundação em 1993.
Por uma década ou mais, ele e sua esposa Fernanda entretiveram ex-oradores Crabtree e outros anciãos da fundação a cada dois anos para uma festa esplêndida em sua casa espetacular em Sintra, variada por uma visita a Tavira, o belo e antigo porto de pesca na costa sul de Portugal, onde a Fundação Gulbenkian contribuiu para fornecer-lhe um estúdio.
Ele foi homenageado em 1995 por sua eleição como membro da University College London. Ele continuou a se mover com frequência entre suas casas em Londres e Sintra, espalhando iluminação e prazer para um amplo círculo de amigos. Recuperando-se aparentemente bem de um câncer, ele foi zapeado por outro. Ele morreu no Hospital Universitário da Universidade, um lance de pedra pela Gower Street de sua amada Slade.
Professor de Belas Artes 1994-96 (Emérito), Fellow 1995-2008; casado primeiro Susan Plant (três filhas), em segundo 1988 Fernanda Oliveira Paixao (dois enteados); morreu em Londres 21 de maio de 2008.
Fonte: Negley Hart, Professor Bartolomeu dos Santos: Gravura criativa e professora na Escola Slade de Fin, In, The Independent, 04 de junho de 2008. URL: https://www.independent.co.uk/news/obituaries/professor-bartolomeu-dos-santos-criative-printmaker-and-teacher-at-the-slade-school-of-fine-art-839559.html
Nota: Em 2024, o acervo bibliográfico de Bartolomeu Cid dos Santos foi doado ao Município de Tavira, e alojado na Biblioteca Álvaro de Campos, pela viúva do falecido artista e um dos maiores gravadores da Europa, que teve uma oficina nesta cidade.
Veja a entrevista com Barto aqui: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/bartolomeu-cid-santos/
Biographie Courte de Barto
Bartolomeu Cid dos Santos- Barto, son nom artistique, est né à Lisbonne en 1931. a étudié à l'Escola Superior de Belas Artes, de 1950 à 1956. En octobre 1956, il est venu à Londres pour ce qui était destiné à être une seule "année de non-diplôme diplômé" d'études supplémentaires à la Slade School of Fine Art, mais la fin de sa première année en juin 1957, il a reçu le premier prix pour la gravure.
Plus tard, il disait: "Je ne savais pas ce que signifiait le mot etcher. Mais j'ai vite découvert, et avec elle les potentialités d'aquatinte avec ses noirs profonds et ses beaux demi-tons que Goya a si bien compris. Pendant le reste de sa vie, Barto a été fasciné par "les noirs profonds et les beaux demi-tons", et en 1956-57, il est devenu amoureux en permanence de la Slade, avec Londres, et avec le professeur Sir William Coldstrea. Ses professeurs étaient William Townsend et Anthony Gross, l'un anglais, l'autre l'a présenté comme "un Européen". Il les admirait tous les deux. Pour dos Santos, l'attitude tolérante à la Slade, la discussion constante de tout, était une bouffée d'air frais après sa jeunesse au Portugal fasciste. Le thème de la liberté contre l'emprisonnement était de produire des images récurrentes dans son art. Il est resté pour enseigner à la Slade, rejoignant le personnel à temps plein en 1961, devenant chef de la gravure et finalement en 1994 a reçu tardivement le statut de professeur titulaire de beaux-arts.
Les tirages de Dos Santos ont été présentés à l'exposition "Jeunes contemporains" du Conseil des arts en 1957, ainsi qu'à la première exposition gulenkienne d'art moderne la même année à Lisbonne. Il ne devait pas y avoir d'année dans les 50 prochaines années où il ne montrait pas de travail dans une exposition, et il devait y avoir plus d'une centaine de one-man-shows, pas seulement en Grande-Bretagne ou au Portugal, mais partout en Europe, dans les Amériques et en Asie.
Sa créativité ne connaissait pas de limites. Cartes de menu pour Air Portugal; couvertures et illustrations pour les livres; peintures murales à grande échelle en calcaire gravé pour la station de métro de Lisbonne desservant la Bibliothèque nationale, avec des références intelligentes à la littérature portugaise; l'immense monument à Grândola à la révolution de 1974 au Portugal qui a libéré le pays du fascisme; une autre murale gravée pour une station souterraine à Tokyo.
Ses estampes distinctives sont dans presque toutes les collections importantes du monde – le British Museum, le V&A, l'Ashmolean, le Fitzwilliam, le Bodleian, l'Albertina à Vienne, la Bibliothèque Nationale à Paris, le Musée d'Art Moderne de New York.
Barto dos Santos était également un membre de premier plan de la Fondation Crabtree, cette société semi-secrète au cœur de l'UCL. Il a livré l'Oration de Crabtree en 1985, une brillante performance sur "Joseph Crabtree et le calife de Fonthill", et a été président de la fondation en 1993.
Pendant une décennie ou plus, lui et sa femme Fernanda ont diverti les anciens orateurs de Crabtree et d'autres anciens de la fondation tous les deux ans pour une splendide fête dans leur maison spectaculaire à Sintra, varié par une visite à Tavira, le joli vieux port de pêche sur la côte sud du Portugal où la Fondation Gulbenkian avait contribué à lui fournir un studio.
Il a été honoré en 1995 par son élection à titre de Fellow de l'University College de Londres. Il continua à se déplacer fréquemment entre ses maisons de Londres et de Sintra, répandant l'illumination et le plaisir à un large cercle d'amis. Récupérant apparemment bien d'un cancer, il a été zapé par un autre. Il est mort à l'hôpital universitaire, à deux pas de Gower Street depuis sa Slade bien-aimée.
Professeur de Beaux-Arts 1994-96 (Émérite), Fellow 1995-2008; marié d'abord Susan Plant (trois filles), deuxièmement 1988 Fernanda Oliveira Paixao (deux beaux-fils); décédé à Londres le 21 mai 2008.
Source: Negley Hart, Professeur Bartolomeu dos Santos: graveur créatif et enseignant à la Slade School of Fin, In, The Independent, 04 juin 2008. URL: https://www.independent.co.uk/news/obituaries/professor-bartolomeu-dos-santos-creative-printmaker-and-teacher-at-the-slade-school-of-fine-art-839559.html
Note: En 2024, la collection bibliographique de Bartolomeu Cid dos Santos a été donnée à la municipalité de Tavira, et logée à Biblioteca Álvaro de Campos, par la veuve du regretté artiste et l'un des plus grands graveurs d'Europe, qui a eu un atelier dans cette ville.
Voir l'interview de Barto ici: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/bartolomeu-cid-santos/
Part I - World
The Metastases of Fire
The Torrents of Air
The Metamorphoses of Water
The Roots of the Earth
The Tree, Living Knowledge
Part II - Mind
Inside as Outside
Crossing the Landscapes of Silence
If Mountains Could Sing
In the Clearings of Dwelling
Flying over the Gorges of Psyché
Epilogue
The Journey to Spiritual Intelligence

Ebook - SPHERA II
Bios | Biografias | Biographies
In order of entry in the book | Por ordem de entrada no livro | Par ordre d'entrée dans le livre
Readings | Leituras | Lectures
Reflections, Analyses, Comments | Reflexões, Análises, Comentários | Réflexions, Analyses, Commentaires
This section will feature a series of analyses, reflections and comments by various invited authors (artists and researchers), with the aim of launching a wider discussion and debate about the complementarity and friction between artistic and verbal communication.
This section is intended to be dynamic. Texts will be inserted as they are received.
Esta secção contará com uma série de análises, reflexões e comentários de vários autores convidados (artistas e pesquisadores), com o objetivo de lançar uma discussão e debate mais amplos sobre a complementaridade e o atrito entre a comunicação artística e verbal.
Esta secção pretende ser dinâmica. Os textos serão inseridos à medida que forem recebidos.
Cette section présentera une série d'analyses, de réflexions et de commentaires de divers auteurs invités (artistes et chercheurs), dans le but de lancer une discussion et un débat plus larges sur la complémentarité et les frictions entre communication artistique et communication verbale.
Cette section est destinée à être dynamique. Les textes y seront insérés au fur et à mesure de leur réception.
Acknowledgments
The editors want to express their gratitude to those who have contributed to make this project possible.
First and foremost, we wish to thank the authors — artists and researchers — who have contributed their talent, knowledge and expertise to the conception, development and publication of this work.
We are equally grateful to the members of the Executive and Scientific Committees, who have lent their names, experience and expertise in support of the project.
Our thanks also go to the members of the governing bodies of the respective University Research Centres, who agreed to provide institutional support for the project. Their backing has not only been invaluable to its development, but has also lent credibility to an undertaking whose conception and implementation are, by their very nature, manifestly experimental.
We would like to express our deepest gratitude, moreover, to all the artists, researchers, scholars and enthusiasts engaged in exploring the entanglement of artistic creation and scientific research. Their analyses, comments and assessments have provided us with both the encouragement and the inspiration to move forward, extending the scope of our endeavours towards broader fields of inquiry and more inclusive audiences.
Finally, we wish to thank all those who have contributed their creativity, skills and expertise to the technical and practical work involved in bringing this project to fruition. Their dedication and commitment have been essential in transforming the project from an idea into a reality.
Agradecimentos
Os editores querem expressar sua gratidão àqueles que contribuíram para tornar este projeto possível.
Em primeiro lugar, queremos agradecer aos autores – artistas e pesquisadores – que contribuíram com seu talento, conhecimento e experiência para a concepção, desenvolvimento e publicação deste trabalho.
Somos igualmente gratos aos membros dos Comitês Executivo e Científico, que emprestaram seus nomes, experiência e experiência em apoio ao projeto.
Nossos agradecimentos também vão para os membros dos órgãos governamentais dos respectivos Centros de Pesquisa Universitário, que concordaram em fornecer apoio institucional para o projeto. Seu apoio não só foi inestimável para o seu desenvolvimento, mas também emprestou credibilidade a um empreendimento cuja concepção e implementação são, por sua própria natureza, manifestamente experimentais.
Gostaríamos de expressar nossa mais profunda gratidão, além disso, a todos os artistas, pesquisadores, estudiosos e entusiastas envolvidos na exploração do entrelaçamento da criação artística e da pesquisa científica. Suas análises, comentários e avaliações nos forneceram tanto o incentivo quanto a inspiração para avançar, ampliando o escopo de nossos esforços para campos mais amplos de investigação e audiências mais inclusivas.
Por fim, gostaríamos de agradecer a todos aqueles que contribuíram com sua criatividade, habilidades e expertise para o trabalho técnico e prático envolvido em concretizar este projeto. Sua dedicação e compromisso têm sido essenciais para transformar o projeto de uma ideia em uma realidade.
Remerciements
Les éditeurs veulent exprimer leur gratitude à ceux qui ont contribué à rendre ce projet possible.
Tout d'abord, nous tenons à remercier les auteurs – artistes et chercheurs – qui ont apporté leur talent, leurs connaissances et leur expertise à la conception, au développement et à la publication de ce travail.
Nous sommes également reconnaissants aux membres des Comités exécutif et scientifique, qui ont prêté leur nom, leur expérience et leur expertise à l'appui du projet.
Nous remercions également les membres des organes directeurs des Centres de recherche universitaires respectifs, qui ont accepté de fournir un soutien institutionnel au projet. Leur soutien a non seulement été inestimable pour son développement, mais a également donné de la crédibilité à une entreprise dont la conception et la mise en œuvre sont, de par leur nature même, manifestement expérimentales.
Nous tenons à exprimer notre plus profonde gratitude, en outre, à tous les artistes, chercheurs, chercheurs et passionnés engagés dans l'exploration de l'enchevêtrement de la création artistique et de la recherche scientifique. Leurs analyses, commentaires et évaluations nous ont fourni à la fois l'encouragement et l'inspiration pour aller de l'avant, en élargissant la portée de nos efforts vers des domaines d'enquête plus larges et des publics plus inclusifs.
Enfin, nous tenons à remercier tous ceux qui ont apporté leur créativité, leurs compétences et leur expertise aux travaux techniques et pratiques impliqués dans la réalisation de ce projet. Leur dévouement et leur engagement ont été essentiels pour transformer le projet d'une idée en réalité.
BONUS PIECE | BÓNUS | BONUS PIÈCE
Barto's Spherical Gallery | Galeria Esférica de Barto | Galerie Sphérique de Barto

Engravings by Bartolomeu Cid dos Santos (1931-2008) | Gravuras por Bartolomeu Cid dos Santos | Étampes par Bartolomeu Cid dos Santos
Images used: Ascending Sphere, 1972, engraving on paper; Labyrinth, 1970, engraving on paper; The Ancestor, 1972, engraving on paper; Atlantis Revisited, 1973, engraving on paper; Atlantis, 1971, engraving on paper; Forbidden Garden, 1971, engraving on paper; The Visitor, 1972, engraving on paper; Under the Surface, 1998, mixed technique; Festim, 1958, engraving on paper. Source: https://gulbenkian.pt/cam/en/artist/bartolomeu-cid-dos-santos-2/
Other images | Outras imagens | Autres images
Albert Ayler & Mary Maria (Mary Parks), Nuits de la Fondation Maeght, 1970, Credit: Phillipe Gras; Dave Holland, Conference of the Birds, 1973, Sheet Music, In, Bogue R. (2003) Deleuze on Music, Painting and the Arts, London & New York; Routledge; Dave Holland and Sam Rivers, 1973, In, Music Aficionado. URL: https://musicaficionado.blog/2017/05/15/conference-of-the-birds-by-dave-holland/; Dave Holland, The Conference of the Birds, ECM 1027, URL: https://ecmrecords.com/product/conference-of-the-birds-david-holland-quartet/Barto's Short Bio
Bartolomeu Cid dos Santos- Barto, his artistic name, was born in Lisbon in 1931. studied at the Escola Superior de Belas Artes, from 1950 until 1956. In October 1956, he came to London for what was intended to be a single "graduate non-diploma year" of further study at the Slade School of Fine Art, but the end of his first year in June 1957 he was awarded the first prize for etching.
Later he would say: "I did not know what the word etcher meant. But I soon found out, and with it the potentialities of aquatint with its deep, profound blacks and beautiful half-tones that Goya understood so well." For the rest of his life Barto was fascinated by "deep, profound blacks and beautiful half-tones", and in 1956-57 he came to be permanently in love with the Slade, with London, and with Professor Sir William Coldstrea. His teachers were William Townsend and Anthony Gross, the one English, the other introduced to him as "a European". He admired them both. For dos Santos the tolerant attitude at the Slade, the constant discussion of everything, was a breath of fresh air after his youth in Fascist Portugal. The theme of freedom versus imprisonment was to produce recurring images in his art. He stayed to teach at the Slade, joining the full-time staff in 1961, becoming Head of Printmaking and eventually in 1994 was belatedly given the status of a full Professor of Fine Art.
Dos Santos's prints were shown at the Arts Council's "Young Contemporaries" exhibition in 1957, and also at the first Gulbenkian Exhibition of Modern Art in the same year in Lisbon. There was to be no year in the next 50 when he did not show work in an exhibition, and there were to be over a hundred one-man shows, not just in Britain or in Portugal, but all over Europe, the Americas and Asia.
His creativity knew no bounds. Menu cards for Air Portugal; covers and illustrations for books; large-scale murals in etched limestone for the Lisbon underground station serving the National Library, with clever references to Portuguese literature; the huge monument at Grândola to the 1974 revolution in Portugal which freed the country from Fascism; a further etched mural for an underground station in Tokyo.
His distinctive prints are in almost every important collection in the world – the British Museum, the V&A, the Ashmolean, the Fitzwilliam, the Bodleian, the Albertina in Vienna, the Bibliothèque Nationale in Paris, the Museum of Modern Art in New York.
Barto dos Santos was also a leading member of the Crabtree Foundation, that semi-secret society at the heart of UCL. He delivered the Crabtree Oration in 1985, a brilliant performance on "Joseph Crabtree and the Caliph of Fonthill", and was president of the foundation in 1993.
For a decade or more, he and his wife Fernanda entertained former Crabtree orators and other elders of the foundation every other year for a splendid party at their spectacular house in Sintra, varied by a visit to Tavira, the pretty old fishing port on the south coast of Portugal where the Gulbenkian Foundation had contributed to provide him with a studio.
He was honoured in 1995 by his election as a Fellow of University College London. He continued to move frequently between his houses in London and Sintra, spreading enlightenment and enjoyment to a wide circle of friends. Recovering apparently well from one cancer, he was zapped by another. He died in University College Hospital, a stone's throw across Gower Street from his beloved Slade.
Professor of Fine Art 1994-96 (Emeritus), Fellow 1995-2008; married first Susan Plant (three daughters), secondly 1988 Fernanda Oliveira Paixao (two stepsons); died in London 21 May 2008.
Source: Negley Hart, Professor Bartolomeu dos Santos: Creative printmaker and teacher at the Slade School of Fin, In, The Independent, 04 June 2008. URL: https://www.independent.co.uk/news/obituaries/professor-bartolomeu-dos-santos-creative-printmaker-and-teacher-at-the-slade-school-of-fine-art-839559.html
Note: In 2024, the bibliographic collection of Bartolomeu Cid dos Santos was donated to the Municipality of Tavira, and lodged in Biblioteca Álvaro de Campos, by the widow of the late artist and one of Europe's greatest engravers, who had a workshop in this city.
See interview with Barto here: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/bartolomeu-cid-santos/
Biografia Breve de Barto
Bartolomeu Cid dos Santos- Barto, seu nome artístico, nasceu em Lisboa em 1931. estudou na Escola Superior de Belas Artes, de 1950 até 1956. Em outubro de 1956, ele veio a Londres para o que pretendia ser um único "ano de pós-graduação não-diploma" de estudo mais aprofundado na Slade School of Fine Art, mas o final de seu primeiro ano em junho de 1957 ele foi premiado com o primeiro prêmio por gravação.
Mais tarde, ele diria: "Eu não sabia o que a palavra etc. Mas logo descobri, e com isso as potencialidades da aquatinta com seus negros profundos e belos meio-tons que Goya entendeu tão bem. Para o resto de sua vida, Barto ficou fascinado por "negros profundos e profundos e belos meio-tons", e em 1956-57 ele passou a ser permanentemente apaixonado pelo Slade, com Londres, e com o professor Sir William Coldstrea. Seus professores eram William Townsend e Anthony Gross, um inglês, o outro lhe apresentou como "um europeu". Ele admirava os dois. Para os Santos a atitude tolerante no Slade, a discussão constante de tudo, foi uma lufada de ar fresco depois da sua juventude em Portugal Fascista. O tema da liberdade versus prisão era produzir imagens recorrentes em sua arte. Ele ficou para ensinar no Slade, juntando-se à equipe em tempo integral em 1961, tornando-se chefe de gravura e, eventualmente, em 1994, recebeu tardiamente o status de professor completo de belas-artes.
As gravuras de Dos Santos foram exibidas na exposição "Jovens Contemporâneos" do Conselho de Artes em 1957, e também na primeira Exposição Gulbenkian de Arte Moderna no mesmo ano em Lisboa. Não havia ano nos próximos 50 anos em que ele não mostrava trabalho em uma exposição, e havia mais de cem shows de um homem só, não apenas na Grã-Bretanha ou em Portugal, mas em toda a Europa, Américas e Ásia.
Sua criatividade não conhecia limites. Cartões de menu para a Air Portugal; capas e ilustrações para livros; murais de grande escala em calcário gravado para a estação de metro de Lisboa que serve a Biblioteca Nacional, com referências inteligentes à literatura portuguesa; o enorme monumento em Grândola à revolução de 1974 em Portugal que libertou o país do fascismo; um mural adicional gravado para uma estação de metro em Tóquio.
Suas estampas distintas estão em quase todas as coleções importantes do mundo – o Museu Britânico, o V&A, o Ashmolean, o Fitzwilliam, o Bodleian, o Albertina em Viena, a Bibliothèque Nationale em Paris, o Museu de Arte Moderna em Nova York.
Barto dos Santos também foi um dos principais membros da Fundação Crabtree, aquela sociedade semi-secreta no coração da UCL. Ele fez a Oração Crabtree em 1985, uma performance brilhante em "Joseph Crabtree and the Caliph of Fonthill", e foi presidente da fundação em 1993.
Por uma década ou mais, ele e sua esposa Fernanda entretiveram ex-oradores Crabtree e outros anciãos da fundação a cada dois anos para uma festa esplêndida em sua casa espetacular em Sintra, variada por uma visita a Tavira, o belo e antigo porto de pesca na costa sul de Portugal, onde a Fundação Gulbenkian contribuiu para fornecer-lhe um estúdio.
Ele foi homenageado em 1995 por sua eleição como membro da University College London. Ele continuou a se mover com frequência entre suas casas em Londres e Sintra, espalhando iluminação e prazer para um amplo círculo de amigos. Recuperando-se aparentemente bem de um câncer, ele foi zapeado por outro. Ele morreu no Hospital Universitário da Universidade, um lance de pedra pela Gower Street de sua amada Slade.
Professor de Belas Artes 1994-96 (Emérito), Fellow 1995-2008; casado primeiro Susan Plant (três filhas), em segundo 1988 Fernanda Oliveira Paixao (dois enteados); morreu em Londres 21 de maio de 2008.
Fonte: Negley Hart, Professor Bartolomeu dos Santos: Gravura criativa e professora na Escola Slade de Fin, In, The Independent, 04 de junho de 2008. URL: https://www.independent.co.uk/news/obituaries/professor-bartolomeu-dos-santos-criative-printmaker-and-teacher-at-the-slade-school-of-fine-art-839559.html
Nota: Em 2024, o acervo bibliográfico de Bartolomeu Cid dos Santos foi doado ao Município de Tavira, e alojado na Biblioteca Álvaro de Campos, pela viúva do falecido artista e um dos maiores gravadores da Europa, que teve uma oficina nesta cidade.
Veja a entrevista com Barto aqui: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/bartolomeu-cid-santos/
Biographie Courte de Barto
Bartolomeu Cid dos Santos- Barto, son nom artistique, est né à Lisbonne en 1931. a étudié à l'Escola Superior de Belas Artes, de 1950 à 1956. En octobre 1956, il est venu à Londres pour ce qui était destiné à être une seule "année de non-diplôme diplômé" d'études supplémentaires à la Slade School of Fine Art, mais la fin de sa première année en juin 1957, il a reçu le premier prix pour la gravure.
Plus tard, il disait: "Je ne savais pas ce que signifiait le mot etcher. Mais j'ai vite découvert, et avec elle les potentialités d'aquatinte avec ses noirs profonds et ses beaux demi-tons que Goya a si bien compris. Pendant le reste de sa vie, Barto a été fasciné par "les noirs profonds et les beaux demi-tons", et en 1956-57, il est devenu amoureux en permanence de la Slade, avec Londres, et avec le professeur Sir William Coldstrea. Ses professeurs étaient William Townsend et Anthony Gross, l'un anglais, l'autre l'a présenté comme "un Européen". Il les admirait tous les deux. Pour dos Santos, l'attitude tolérante à la Slade, la discussion constante de tout, était une bouffée d'air frais après sa jeunesse au Portugal fasciste. Le thème de la liberté contre l'emprisonnement était de produire des images récurrentes dans son art. Il est resté pour enseigner à la Slade, rejoignant le personnel à temps plein en 1961, devenant chef de la gravure et finalement en 1994 a reçu tardivement le statut de professeur titulaire de beaux-arts.
Les tirages de Dos Santos ont été présentés à l'exposition "Jeunes contemporains" du Conseil des arts en 1957, ainsi qu'à la première exposition gulenkienne d'art moderne la même année à Lisbonne. Il ne devait pas y avoir d'année dans les 50 prochaines années où il ne montrait pas de travail dans une exposition, et il devait y avoir plus d'une centaine de one-man-shows, pas seulement en Grande-Bretagne ou au Portugal, mais partout en Europe, dans les Amériques et en Asie.
Sa créativité ne connaissait pas de limites. Cartes de menu pour Air Portugal; couvertures et illustrations pour les livres; peintures murales à grande échelle en calcaire gravé pour la station de métro de Lisbonne desservant la Bibliothèque nationale, avec des références intelligentes à la littérature portugaise; l'immense monument à Grândola à la révolution de 1974 au Portugal qui a libéré le pays du fascisme; une autre murale gravée pour une station souterraine à Tokyo.
Ses estampes distinctives sont dans presque toutes les collections importantes du monde – le British Museum, le V&A, l'Ashmolean, le Fitzwilliam, le Bodleian, l'Albertina à Vienne, la Bibliothèque Nationale à Paris, le Musée d'Art Moderne de New York.
Barto dos Santos était également un membre de premier plan de la Fondation Crabtree, cette société semi-secrète au cœur de l'UCL. Il a livré l'Oration de Crabtree en 1985, une brillante performance sur "Joseph Crabtree et le calife de Fonthill", et a été président de la fondation en 1993.
Pendant une décennie ou plus, lui et sa femme Fernanda ont diverti les anciens orateurs de Crabtree et d'autres anciens de la fondation tous les deux ans pour une splendide fête dans leur maison spectaculaire à Sintra, varié par une visite à Tavira, le joli vieux port de pêche sur la côte sud du Portugal où la Fondation Gulbenkian avait contribué à lui fournir un studio.
Il a été honoré en 1995 par son élection à titre de Fellow de l'University College de Londres. Il continua à se déplacer fréquemment entre ses maisons de Londres et de Sintra, répandant l'illumination et le plaisir à un large cercle d'amis. Récupérant apparemment bien d'un cancer, il a été zapé par un autre. Il est mort à l'hôpital universitaire, à deux pas de Gower Street depuis sa Slade bien-aimée.
Professeur de Beaux-Arts 1994-96 (Émérite), Fellow 1995-2008; marié d'abord Susan Plant (trois filles), deuxièmement 1988 Fernanda Oliveira Paixao (deux beaux-fils); décédé à Londres le 21 mai 2008.
Source: Negley Hart, Professeur Bartolomeu dos Santos: graveur créatif et enseignant à la Slade School of Fin, In, The Independent, 04 juin 2008. URL: https://www.independent.co.uk/news/obituaries/professor-bartolomeu-dos-santos-creative-printmaker-and-teacher-at-the-slade-school-of-fine-art-839559.html
Note: En 2024, la collection bibliographique de Bartolomeu Cid dos Santos a été donnée à la municipalité de Tavira, et logée à Biblioteca Álvaro de Campos, par la veuve du regretté artiste et l'un des plus grands graveurs d'Europe, qui a eu un atelier dans cette ville.
Voir l'interview de Barto ici: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/bartolomeu-cid-santos/

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